sábado, 24 de setembro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ V ]

«O POSTIGO, A ESTÁTUA DE S. ROQUE, A TORRE DE ÁLVARO PAES E  A ESCADA»
 Largo Trindade Coelho -(Foto de M. Lourdes-do Blogue O AÇOR) - (Imagem de S. Roque colocada no cimo do POSTIGO ou ARCO DE S. ROQUE, na Muralha FERNANDINA) - (Escultura de S. Roque (em calcário), depois pintado, do século XVII, proveniente do antigo Postigo ou Arco de S. ROQUE, na MURALHA FERNANDINA) ("O CARMO E A TRINDADE" - LIVRO II pág.182) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   O AÇOR 
 Largo Trindade Coelho - ( 2014 ) - (O "LARGO TRINDADE COELHO" ao fundo a "RUA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA" e a "IGREJA DE SÃO ROQUE")  in   GOOGLE EARTH
 Largo Trindade Coelho - ( 2016 ) - ( Parte do "LARGO TRINDADE COELHO" ao fundo quase frente para a IGREJA o "PALÁCIO BRITO FREIRE-TOMAR" , na esquerda a "TRAVESSA DA QUEIMADA" que faz esquina com o Palácio, seguindo depois para Norte a "RUA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA)   in     GOOGLE EARTH
Largo Trindade Coelho - (191-?) - Foto de Alberto Carlos Lima - (Coluna mandada erguer pela colónia italiana, comemorativa  do casamento do REI D. LUÍS com D. MARIA PIA DE SABÓIA, no "LARGO DE S. ROQUE" nessa altura)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in     AML 

(CONTINUAÇÃO) -LARGO TRINDADE COELHO [ V ]

«O POSTIGO, A ESTÁTUA DE S. ROQUE, A TORRE DE ÁLVARO PAES E A ESCADA»

"O POSTIGO" era uma simples abertura na MURALHA, com duas portas de madeira ( 1 ) o qual foi mais tarde, transformado em arco, "ARCO DE SÃO ROQUE", rematado com uma formosa estátua do mesmo SANTO ( 2 ).
As dimensões do "ARCO DE S. ROQUE", tomadas numa planta do "LARGO DE S. ROQUE" do princípio do segundo quartel do século XIX, eram: 2,44 metros na largura, por 2,20 metros de espessura do muro. Este "ARCO" foi demolido em 1837 ( 3 ) para obras de urbanização e embelezamento do "LARGO DE S. ROQUE".

A ESTÁTUA DE S. ROQUE

A imagem de "SÃO ROQUE" que foi colocada sobre o postigo ( 4 ) era uma escultura de pedra do século XVII, e ali se conservou até à demolição do "ARCO" em meados do século XIX. Encontrava-se no "MUSEU DA ASSOCIAÇÃO DOS ARQUEÓLOGOS PORTUGUESES, no CARMO, no qual deu entrada em 1899, vinda de um corredor do edifício da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA", onde estava em depósito ( 5 ).

A TORRE DE ÁLVARO PAES

No vértice do saliente Noroeste da "CERCA FERNANDINA" ficava situada a "TORRE DE ÁLVARO PAES", cuja denominação remontava, pelo menos, ao ano de 1429 ( 6 ).  Este cidadão, nobre e rico, que legou o nome à TORRE, foi chanceler dos REIS "D. PEDRO" e de "D. FERNANDO", e padrasto de "JOÃO DAS REGRAS" tinha provavelmente residência ou propriedades no local ou vizinhança da "TORRE" ( 7 ) .
A "TORRE" ficou muito arruinada pelo Terramoto de 1755, como nos mostra a vista bastante fantasiada, mas muito vulgarizada, da colecção de gravuras de  "FILIPPE LE BAS" (1757) e foi demolida em 1837.

ESCADA PARA O "ADARVE" DO MURO

Junto da "TORRE DE ÁLVARO PAES", do lado interior da cidade, ficava a escada de pedra que conduzia ao "ADARVE" ( 8 ) da Muralha e dai ao eirado da "TORRE".

- ( 1 ) -Elementos, etc.. TOMO V, pág. 202.
- ( 2 ) -CRÓNICA DAS CARMELITAS, por FREI JOSEPH PEREIRA DE SANTA MARIA, Tomo I, 1745, pág. 380. 
- ( 3 ) -ARQUIVO PITORESCO, VOLUME VII, 1864, pág. 306.
- ( 4 ) -DEMONSTRAÇÃO HISTÓRICA, etc., por FREI APOLINÁRIO DA CONCEIÇÃO, 1750, fl. 196.
- ( 5 ) -BOLETIM DA REAL ASSOCIAÇÃO DOS ARQUEÓLOGOS CIVIS E ARQUITECTOS PORTUGUESES, TOMO VIII, 1898, páginas 41, 70, e 97 -uma estampa com a fotografia da imagem acha-se em "O CARMO E A TRINDADE", por GUSTAVO MATOS SEQUEIRA, VOLUME II, em frente da pág. 182.
- ( 6 ) -CONVENTO DA TRINDADE, maço 1, Nº. 30 FERNÃO LOPES, que escrevia por 1434-1454, cita-a sempre com este nome, Ver CRÓNICA DEL REY D. JOÃO I, 1ª. parte, 1644, pág.205. 
- ( 7 ) -No início do século XVI vivia um "ÁLVARO PAIS", pedreiro, que tomou de aforamento ao MOSTEIRO DA TRINDADE um chão nas vizinhanças do "POSTIGO do CONDE". Não foi este, todavia , quem deu o nome à TORRE - "MOSTEIRO DA TRINDADE", livro 65. fl, 65, ano 1592.
- ( 8 ) -ADARVE - (do Árabe addarb, caminho, por ext. muralha). s. m. muro ameado de fortaleza; passeio ou ruela por cima do muro da fortaleza, junto das ameias.   


(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «LARGO TRINDADE COELHO [ VI ]O PALÁCIO DOS NORONHAS, DEPOIS DO "CONDE DA LOUZA").

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ IV ]

«A CERCA FERNANDINA  E  POSTIGO DE S. ROQUE»
 Largo Trindade Coelho - (1373 a 1373)- Desenho de A.Vieira da Silva - (MAPA IX- DO POSTIGO DE S. ROQUE AO POSTIGO DA TRINDADE. Nesta MAPA podemos observar o futuro "LARGO DE S. ROQUE" a antiga TORRE de ÁLVARO PAES,  para Sul o POSTIGO DE S. ROQUE  e na parte de dentro da MURALHA a "ESCADA PARA A TORRE". Ainda a antiga "RUA DE ÁLVARO PAES" actual "CALÇADA DO DUQUE")  in  A CERCA FERNANDINA DE LISBOA VOLUME I 
 Largo Trindade Coelho - (entre 1898 e 1908) Foto de autor não identificado (Aspecto de um dos lados do antigo  "LARGO DE SÃO ROQUE",  actual "LARGO TRINDADE COELHO") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Largo Trindade Coelho - (1963-07) Foto de Augusto de Jesus Fernandes - (No primeiro andar deste prédio no "LARGO TRINDADE COELHO" foi nesta época a Sede do  grupo «AMIGOS DE LISBOA». No piso térreo  o "SOLAR DA HERMÍNIA" estava ali a funcionar)  in     AML 
Largo Trindade Coelho - (1982) - Foto de Neves Águas  - (O quiosque a Norte do "LARGO TRINDADE COELHO", também na época uma Agência do TOTOBOLA) ( ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - LARGO TRINDADE COELHO [ IV ]

«A CERCA FERNANDINA DE LISBOA - O POSTIGO DE SÃO ROQUE»


«A CERCA  DE LISBOA»  reconhecida inútil nos  finais do terceiro  quartel  do  século XIV, para a defesa de LISBOA, a cerca de muralhas "MOURAS" ou "VISIGÓTICAS" que então envolviam o  povoado  da  cidade, e  insuficiente  para  a  protecção  dos  extensos  bairros habitados que tinham  sido  formados de  um e de outro lado da antiga cidade MOURISCA, resolveu   o   "REI  D. FERNANDO"  (depois do assalto, roubo e incêndio que à cidade havia infringido em 1373 o exército do  "REI D. HENRIQUE DE CASTELA")       mandar construir,   nesse mesmo ano,   uma nova cinta   de  muralhas,   como era   uso na "IDADE MÉDIA",   para   defender a "CAPITAL DO REINO"   contra nova  e  provável  investida do exército Castelhano.

Ficou conhecida pela "CERCA NOVA", em oposição à "CERCA VELHA ou ANTIGA", e também por "CERCA DE D. FERNANDO" ou "CERCA FERNANDINA". O traçado geral já muito divulgado, ficando aqui só a indispensável descrição junto ao antigo "LARGO DE S. ROQUE". Resta ainda acrescentar que a obra da «CERCA FERNANDINA» foi realizada, como nos diz "FERNÃO LOPES", em pouco mais de dois anos, de 1373 a 1375.Livro Crónica de D. Fernando, de Fernão Lopes - Capitulo LXXXVIII].

O "POSTIGO DE S. ROQUE" e "TORRE DE ÁLVARO PAIS"
No lado Sul da "TORRE DE ÁLVARO PAIS", e muito perto dela, abria-se na CERCA um postigo que teve o nome de "POSTIGO NOVO DO CONDE"(1502) ( 1 ), ou "POSTIGO DE S. ROQUE", ou ainda "POSTIGO NOVO DE S. ROQUE", que dava saída para o "TERREIRO DE S. ROQUE" (depois LARGO DE S. ROQUE), e para os arrabaldes das bandas ocidental e Norte  da cidade. O postigo não existia antes do fim do século XV, quando intramuros  havia o Olival da herdade dos Frades "TRINITÁRIOS"; só depois de 1500, tendo-se aberto o troço superior da "CALÇADA DO DUQUE" (Nomes atribuídos ao mesmo local, em várias épocas: CALÇADA DO POSTIGO DE S. ROQUE, em 1620, 1638, e 1651; RUA DO POSTIGO, em 1649 e 1650; RUA DO POSTIGO DE S. ROQUE, em 1651; CALÇADA DE S. ROQUE, em 1653; CALÇADA DO DUQUE, em 1740 e 1747; CALÇADA QUE VAI PARA O ARCO DE S. ROQUE, em 1751; RUA DE ÁLVARO PAIS (conforme se verifica no MAPA IX ); Actualmente "CALÇADA DO DUQUE", desde a "RUA DA CONDESSA" até ao "LARGO DE S. ROQUE" e começado a urbanizar-se o local que constituiu a "VILA DO OLIVAL", e nasceu a necessidade de se abrir o novo postigo em "SÃO ROQUE" ( 2 ).
E como tanto este postigo como o que existiu no topo da "RUA DA CONDESSA" no "PÁTIO DA ESCOLA ACADÉMICA", se chamavam de "S. ROQUE", para os diferençar passaram a designar "POSTIGO NOVO" e "POSTIGO VELHO" ou "ANTIGO", respectivamente o do "LARGO DE SÃO ROQUE", e o "NOVO" da  "RUA DA CONDESSA".
"chão na rua de Álvaro Paes que está indo para o "Postigo Velho de S. Roque" para o "Postigo Novo", ao longo do muro da cidade ( 3 )".
A embocadura da "CALÇADA DO DUQUE" (antiga "RUA ÁLVARO PAIS") ficava em frente do actual "LARGO TRINDADE COELHO", junto à pilastra divisória das fachadas dos dois prédios que fecham pelo Sul o referido "LARGO".

- ( 1 ) - Citação em: O CARMO e a TRINDADE de Gustavo de Matos Sequeira, Vol. I pag. 168.


- ( 2 ) - Parece que o postigo ainda não existia em 1502, ou que foi aberto nesse ano, porque a referencia à RUA que nele veio a terminar ainda num documento desse ano é assim redigido: "RUA que vem da escada da TORRE de ÁLVARO PAIS para o postigo do CONDE": (Mosteiro da Trindade, Livro 65, fl. 58, ano 1592).

- ( 3 ) - Mosteiro da Trindade, Livro 75, fl. 207, ano 1565.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO TRINDADE COELHO [ V ] O POSTIGO, A ESTÁTUA DE S. ROQUE E A TORRE DE ÁLVARO PAIS"»

sábado, 17 de setembro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ III ]

«O LARGO DE S. ROQUE E SUA ENVOLVÊNCIA (2)»
 Largo Trindade Coelho - (1946) (Estúdios de Mário Novais) - (Fachada principal da IGREJA DE SÃO ROQUE, o antigo Largo de São Roque (hoje LARGO TRINDADE COELHO), os carros dos anos quarenta e urinóis para os dois sexos) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Largo Trindade Coelho - (1982) Foto de Neves Águas - ("Quiosque e Agência do TOTOBOLA" no "LARGO TRINDADE COELHO") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Largo Trindade Coelho - ( 2014 ) - (O "LARGO TRINDADE COELHO" a "IGREJA DE SÃO ROQUE" a Norte, para Nascente estão as instalações da "MISERICÓRDIA DE LISBOA"  in  GOOGLE EARTH
Largo Trindade Coelho - (Século XIX) - Foto de autor não identificado - (Coluna mandada erguer pela Colónia Italiana, comemorativa ao casamento do Rei "D. LUÍS", com "D. MARIA PIA DE SABÓIA", colocada no antigo "LARGO DE S. ROQUE", ao fundo as antigas instalações da "COMPANHIA DE CARRUAGENS LISBONENSE", actuais edifícios da "MISERICÓRDIA DE LISBOA") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO) - LARGO TRINDADE COELHO [ III ]

«O LARGO DE S. ROQUE E SUA ENVOLVÊNCIA ( 2 )»

A demolição deste conjunto para alargamento e regularização do "LARGO", proporcionou uma abertura espacial, retirou em termos urbanísticos tensão de força e o efeito de enquadramento do "LARGO" à "IGREJA DE S. ROQUE" diluindo o enfiamento cenográfico da antiga "RUA LARGA DE SÃO ROQUE" (hoje RUA DA MISERICÓRDIA) com a fachada da IGREJA. Submetido a outros valores urbanísticos de ordem funcional, o vasto adro que avançava sobre o "LARGO" em meio decágono na largura da IGREJA foi igualmente demolido. Este adro, com degraus a toda a volta, formava como que um pedestal à fachada da IGREJA, acentuando o efeito cenográfico do conjunto, sobretudo, de quem subia a antiga "RUA DE S. ROQUE" (hoje RUA DA MISERICÓRDIA).
Todo este enquadramento urbanístico não resultava, porém, do acaso.
Quando os «JESUÍTAS» vieram instalar-se no local, em meados do século XVI, existia uma ERMIDA DE SÃO ROQUE com o altar orientado classicamente a poente e a JERUSALÉM. Ao iniciarem a construção a sua IGREJA, os JESUÍTAS orientaram o novo TEMPLO à RUA que subia das PORTAS DE SANTA CATARINA. São eles que sugerem mais tarde a D. SEBASTIÃO o alargamento desta via, que toma a designação de RUA LARGA DE S. ROQUE. LARGO e RUA passaram a formar uma unidade urbanística que pelas suas grandes proporções para a época será um dos lugares privilegiados da cidade para festas, cortejos e grandes cerimónias religiosas.
O Terramoto de 1755 e a expulsão dos JESUÍTAS contribuem para o declínio do local.
O "BAIRRO ALTO" perde o seu prestígio aristocrático e a maior parte dos PALÁCIOS são precàriamente restaurados para alugar. 
No PALÁCIO NISA ainda funcionou a partir de 1815, um TEATRO com risco do Arquitecto Decorador JOAQUIM DA COSTA, mas a empresa não foi suficientemente rentável. Em 1835, a MARQUEZA DE NISA é intimada pela CÂMARA a demolir as ruínas do seu PALÁCIO. e dois anos depois (1837) a vereação inicia o processo de obras de ligação do "LARGO DE S. ROQUE" com, o "LARGO DA TRINDADE", rasgando a  "RUA NOVA DA TRINDADE". O "CONVENTO DA TRINDADE com que tanto esforço tinha sido restaurado pelos FRANCISCANOS, e o PALÁCIO DOS CONDES DE ALVA, na zona do actual TEATRO DA TRINDADE, são também demolidos.
As obras arrastam-se por vários anos. Durante a década de sessenta é demolida a "TORRE DE ÁLVARO PAES" e o trecho da MURALHA FERNANDINA. Em 1862 no LARGO DE S. ROQUE é erigido um monumento (hoje vulgarmente designado de "PALMATÓRIA"), oferecida pelos italianos residentes em LISBOA, comemorativa do casamento do REI D. LUÍS com D. MARIA PIA DE SABÓIA, onde se pode ler: "Pelo fausto consórcio de Suas Majestades El-REI D. LUÍS de PORTUGAL e a princesa MARIA PIA DE SABÓIA, em 6 de Outubro de 1862, novo penhor da fraternidade entre os dois povos".
Por fim a "COMPANHIA DE CARRUAGENS LISBONENSES" levanta, por volta de 1894, em terrenos do antigo "PALÁCIO NISA", a actual fachada do LARGO virada a Poente, num gosto neoclássico tardio, mas de certo equilíbrio, onde se encontram os actuais serviços da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA"

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO TRINDADE COELHO [ IV ]A CERCA FERNANDINA, O POSTIGO DE SÃO ROQUE».

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ II ]

«O LARGO DE S. ROQUE E SUA ENVOLVÊNCIA (1)»
 Largo Trindade Coelho - (Século XIX Gravador J. Novaes - (O "Largo de São Roque" depois "Largo Trindade Coelho" com a sua "palmatória" e a Igreja de S. Roque)  in LISBOA-ALFREDO MESQUITA
 Largo Trindade Coelho - (c. de 1948 Foto de Eduardo Portugal - ("LARGO TRINDADE COELHO", antigo "LARGO DE SÃO ROQUE" na esquina com a RUA DA MISERICÓRDIA" ficava o antigo Palácio dos NORONHAS, depois do CONDE DA LOUSÃ)  ( ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Largo Trindade Coelho - ( 2014 ) -  (Final da "RUA DA MISERICÓRDIA" vista do "LARGO TRINDADE COELHO". No edifício da  esquerda podemos ver os cunhais do antigo PALÁCIO DOS CONDES DA LOUSÃ)  in  GOOGLE EARTH 
Largo Trindade Coelho - (2014) - ( O "LARGO TRINDADE COELHO" e a "IGREJA DE SÃO ROQUE" vistos do final da "RUA DA MISERICÓRDIA")  in  GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - LARGO TRINDADE COELHO [ II ]

«O LARGO TRINDADE COELHO E SUA ENVOLVÊNCIA( 1 )»

O "LARGO DE SÃO ROQUE" organizado como entidade urbana de "LARGO" no século XVI, a sua forma actual sensivelmente quadrada e regular, é relativamente recente, manifestando-se como uma eclosão tardia do urbanismo pombalino, já em meados do século XIX.
Permaneceu adormecido durante quase três séculos, o "LARGO" manteve uma estrutura espacial essencialmente orgânica, com uma forma irregular de dimensões mais reduzidas, mas de forte carácter cenográfico e urbano.

Assim, por EDITAL de 04 de Setembro de 1913 e na pessoa de ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO, Presidente da Comissão Administrativa da C.M.L. e em conformidade com o Artº. 50 Nº. 5 do CÓDIGO ADMINISTRATIVO de 1896, a antiga nomenclatura do «LARGO DE S. ROQUE» passa a designar-se por "LARGO TRINDADE COELHO".  Depois da Reforma administrativa de 2012, este LARGO passou a pertencer a duas freguesias «MISERICÓRDIA» e «SANTA MARIA MAIOR».

Três grandes PALÁCIOS formavam os três lados de uma espécie de rectângulo irregular, cujo quarto lado se reduzia quase à fachada da "IGREJA DE S. ROQUE".
Em frente da IGREJA estendia-se a antiga "RUA DE SÃO ROQUE" com o "PALÁCIO DOS CONDES DA LOUSÃ". Deste PALÁCIO que fazia a marcação de entrada no "LARGO", restam hoje apenas dois fortes cunhais maneiristas de silharia com junta fendida.

O Incêndio causado pelo Terramoto e as remodelações do século XIX reduziram-no a um anónimo prédio de rendimento.
Nas outras duas faces erguiam-se o "PALÁCIO DOS BRITO FREIRE", depois "PALÁCIO DO 2º CONDE DE TOMAR",(ANTÓNIO BERNARDO DA COSTA CABRAL) (1835-1905), o único que ainda se mantém, e o PALÁCIO DOS GAMAS, descendentes do grande Navegador, "CONDES DA VIDIGUEIRA" e MARQUESES DE NISA. 
Este era o lado mais interessante e complexo do LARGO, inteiramente demolido nas obras do século XIX.
Como parte integrante do PALÁCIO erguia-se a velha "TORRE DE ÁLVARO PAES" e um troço da MURALHA.
A "TORRE" rematava o extenso lance da MURALHA FERNANDINA que subia do RIO ao longo da RUA DO ALECRIM e da RUA DA MISERICÓRDIA" (antiga Rua Larga de S. Roque,  depois Rua do Mundo) e que aqui mudava de direcção, inflectindo para nascente a caminho do "CASTELO DE SÃO JORGE" através de VALVERDE e da MOURARIA.

Junto à "TORRE DE ÁLVARO PAES" recortava-se ainda na MURALHA FERNANDINA uma das mais antigas portas medievais da cidade, o "POSTIGO DE SÃO ROQUE".
Da "TORRE" até ao colégio dos "JESUÍTAS" abria-se, por sua vez, o grande portal de acesso ao "PÁTIO NISA".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO TRINDADE COELHO [ III ]-O LARGO DE S. ROQUE E SUA ENVOLVÊNCIA (2)».

sábado, 10 de setembro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ I ]

«O SÍTIO DE SÃO ROQUE»
Largo Trindade Coelho - (Século XIV) - (Desenho adaptado do "LARGO TRINDADE COELHO" e seu envolvente, sem escala - APS - LEGENDA : 1- Largo Trindade Coelho; 2- Igreja de S. Roque; 3-Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; 4-Museu de São Roque; 5-Palácio Brito Freire-Tomar. A-Torre de ÁLVARO PAIS; B-POSTIGO DE S. ROQUE - (Adaptação do "Postigo de S. Roque" do Livro "A CERCA FERNANDINA DE LISBOA- Engº A. VIEIRA DA SILVA- 1948)   in  ARQUIVO/APS
Largo Trindade Coelho - (2014) - (Panorâmica da antiga freguesia da "ENCARNAÇÃO" hoje "FREGUESIA DA MISERICÓRDIA", onde se insere o "LARGO TRINDADE COELHO" que se chamou de S. ROQUE, embora lhe chamem também "Largo da Misericórdia" in  GOOGLE EARTH
Largo Trindade Coelho - (1650) Desenho de Martins Barata, baseado no Mapa de TINOCO - Gráfico I - Nota-se a "Muralha Fernandina" no lanço que vinha de "S. ROQUE" às "PORTAS DE SANTA CATARINA", e o "BAIRRO ALTO" construído fora das muralhas) in PEREGRINAÇÕES EM LISBOA LIVRO VI
Largo Trindade Coelho - (1938) - Desenho de Martins Barata - GRÁFICO II - do BAIRRO ALTO e SÍTIO DE SÃO ROQUE em meados do  século XX, vendo-se o seu desenvolvimento em relação ao GRÁFICO I)   in PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - LIVRO VI

[INÍCIO] - LARGO TRINDADE COELHO [ I ]

«O SÍTIO DE SÃO ROQUE»


LISBOA no ano de 1506 era afectada por uma grande peste, tendo havido necessidade de se construir um Cemitério fora da  cidade.  
Existia um ermo de olivais, muito próximo do "CONVENTO DA TRINDADE" a Norte da «TORRE DE ÁLVARO PAIS». Esse chão, será eventualmente onde mais tarde existiram ( o TEATRO DO BAIRRO ALTO ; o TEATRO DE SÃO ROQUE e o TEATRO DOM ROBERTO ) e ainda a "CASA DAS LOTARIAS" propriedade da SANTA CASA DA MISERICÓRDIA e, onde hoje está instalado o "MUSEU DE SÃO ROQUE".

A compaixão REAL fez erguer junto do CEMITÉRIO a "ERMIDA DE SÃO ROQUE" (padroeiro contra as pestes) para a qual foi doado de VENEZA, uma relíquia do SANTO no reinado de D. MANUEL I, pelo ano de 1509.
Podemos conjecturar e acompanhando o espírito da época, seria uma procissão de "RELÍQUIAS" com pompa solene, as romagens piedosas dos Reis, príncipes, nobres, fidalgos, burgueses e povo.

No tempo de D. JOÃO III, os padres da "COMPANHIA DE JESUS"( 1 ) instalaram-se em "SÃO ROQUE" e de ERMIDA a casa pequena que já lhe encostara, no ano de 1555 foi construído pelo "JESUÍTAS" uma magnifica IGREJA. O TEMPLO só ficou concluído aproximadamente pelo ano de 1580. Ano de má memória para PORTUGAL; com a morte do nosso grande poeta "LUÍS VAZ DE CAMÕES" e a perda da nossa INDEPENDÊNCIA.

Foram tais as ostentações e riquezas da IGREJA que logo fez sombra ao opulento "CONVENTO DA TRINDADE", mais velho século e leio, cuja ORDEM, para fora dos muros e, pelo menos, na orla exterior Nascente também possuía muito chão, para doar ou para vender. 

E "SÃO ROQUE" começou a ter prestígio. nomeadamente a "VILA NOVA DE ANDRADE" onde já se viam construídas algumas casas e delineadas as suas ruas, embora numa definição rudimentar, mas suficientemente cativante para atrair os Nobres, os Burgueses e endinheirados vindos da "ÍNDIA"; aos primitivos marítimos compradores dos primeiros terrenos eram oferecidos trespasses para edificações de solares e de PALÁCIOS.
E assim a "VILA NOVA DE ANDRADE", do "ALTO", entrou a confundir-se com "SÃO ROQUE".
No século XVI terá sido o início feliz desse "BAIRRO", que ainda hoje tem expressão, mas o século XVII foi o grande ciclo criador do "BAIRRO ALTO DE S. ROQUE", e depois "BAIRRO ALTO". Desta associação de nomes, nasceu o topónimo "LARGO DE SÃO ROQUE" que se manteve até ao ano de 1913.

- ( 1 ) - A "COMPANHIA DE JESUS" fundada por SANTO INÁCIO DE LOYOLA em 15 de Agosto de 1534. Nela "militaram" dos grandes nomes da nossa história, os missionários; São Francisco Xavier e o Padre António Vieira.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO TRINDADE COELHO [ II ] O LARGO DE S. ROQUE E SEU ENVOLVIMENTO ( 1 )».

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

LARGO DA AJUDA [ XII ]

«EPISÓDIOS DE BASTIDORES NO PALÁCIO DA AJUDA»
Largo da Ajuda - (19--) Foto de Paulo Guedes - (PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA, fachada virada para o "LARGO DA AJUDA") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML  
 Largo da Ajuda - (c. de 1952) Foto de António Passaporte (Postal) - (Palácio Nacional da Ajuda, a "SALA DOS ARCHEIROS)  in   AML 
 Largo da Ajuda - (2012) Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAKA - ("PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA", "SALA DA MÚSICA". A MÚSICA era uma das distracções preferidas da família Real. Revelavam os jornais que quase todos os dias se podia ouvir concertos neste PALÁCIO)    in    CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAKA - (O vestíbulo  do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA", com numerosas estátuas e seu chão de "calçada à portuguesa)  in   CLIC PORTUGAL 
Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAHA - ("PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" Uma das estátuas do Átrio do Palácio, representando a «DILIGÊNCIA») in   CLIC  PORTUGAL 


(CONTINUAÇÃO) - LARGO DA AJUDA [ XII ]

«EPISÓDIOS DE BASTIDORES NO "PALÁCIO  DA AJUDA"»

Obviamente, foi no tempo de DOM LUÍS e DONA MARIA PIA que ficaram as maiores recordações do PALÁCIO, transformado em casa viva nesse período. Alguns episódios ficaram mesmo anotados em livros, com relevo para o relato feito por um "velho servidor do Paço", VITAL FONTES. este homem, que acabou os seus dias numa casinha da AJUDA (onde havia de ser?), cometeu a façanha de estar ao serviço do Palácio Real (depois) presidenciais, desde os últimos tempos de D. PEDRO V até ao MARECHAL CARMONA. Discreto e respeitador, foi possível, mesmo assim, a um jornalista arrancar-lhe algumas confissões.
Contava ele, por exemplo, que a rainha DONA MARIA PIA teve, a princípio alguma dificuldade se relacionar com o feitio de DOM LUÍS, sobretudo porque este até ao nascimento dos príncipes, parecia não renunciar a algumas aventuras amorosas.
Outro narrador chega mesmo a dizer que, quando amuava com o marido, a rainha se punha diante de uma vidraça que em breve estava embaciada com o bafo; aproveitava então para escrever com o dedo no vidro sempre a mesma frase: «não gosto do Luís».
Mas o gosto pela arte, entre outros factores, unia o casal. A música e a pintura constituíam gostos comuns.
Conta "VITAL FONTES" que DOM LUÍS era "um bom garfo", tendo a particularidade de fazer acompanhar as refeições com muito pão e manteiga.
Célebre ficou a antipatia que a rainha nutria pelo "DUQUE DE SALDANHA". Este, com o seu feitio intranquilo e pleno de rompantes, entrou uma vez, já noite alta, pelo PALÁCIO DA AJUDA, pretendendo falar com o REI para este depor o GOVERNO. Ouvindo barulhos estranhos, DONA MARIA PIA apareceu, de roupão, a saber o que se passava. Percebendo o insólito da situação, "chispou" de cólera e invectivou o marido: «Vossa Majestade não manda fuzilar este homem?». Foi DOM LUÍS que acalmou os ânimos, dizendo para a mulher: «Que ideia, fuzilar o Marechal SALDANHA!».  Aliás. tempos depois, era SALDANHA deposto.
Como se disse, depois da morte de DOM LUÍS, ficaram no Palácio a rainha viúva e seu filho DOM AFONSO. Era este homem dotado de bom feitio e bonomia, apaixonado por desportos e pelo nascente automobilismo. de uma vez, ao entrar na AJUDA, tinha sido rendida a sentinela e esta era agora desempenhada por um soldado novato. Vendo aquele janota de chapéu "`as três pancadas", o galucho pediu-lhe: «o senhor, que deve trabalhar aqui, é que me podia avisar quando chegasse o senhor infante». "Então não o conhece?", perguntou DOM AFONSO. Ante a negativa, informou o magala: «Pois está na sua frente e seria bom deixa-lo passar». Só então o pobre soldado atentou nas feições do sujeito que entrava.
Ainda valeu, que o Infante não aparecesse, como sucedia frequentemente, com as roupas e as mãos todas sujas de óleo do carro, ao qual dispensava boa parte do seu tempo.

EM FORMA DE RESCALDO

O PALÁCIO sofreu grande susto em 1974 quando um incêndio destruiu parte da ala NORTE. Vários planos surgiram para o acabar, o mais recente dos quais será  o do arquitecto GONÇALO BYRNE. Tem existido novos melhoramentos, manutenção adequada, mas o PALÁCIO ainda mantêm por finalizar o lado POENTE. [FINAL]

BIBLIOGRAFIA

- ACTAS da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa - 1943-1974 - Volume 1- C.M.L. - Coordenação e Concepção da Edição - Agostinho Gomes, Paula Machado, Rui, Pereira e Teresa Sancha Pereira - 2000 - LISBOA.
- ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em LISBOA - Livro IX-VEGA-1993- LISBOA.
BELÉM Reguengo da Cidade -C.M.L. Cood. de Maria do Rosário Santos Bonnevile-Edicções AS - 1990 - LISBOA.
- CADAVAL, Diana de - Palácios e Casas Senhoriais de Portugal - Esfera do Livro-2015.
- Dicionário Enciclopédico Lello Universal - Vol I- Lello & Irmão- 1976 - PORTO.
- DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE LISBOA-Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena - 1994 - LISBOA.
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL -José Correia do Souto-Vol. I Rep. ZAIROL.LDA.-1983 - LISBOA.
- JANEIRO, Maria João - LISBOA HISTÓRIA E MEMÓRIAS- Livros Horizonte-2000-LISBOA.
- NOVA ENCICLOPÉDIA LAROUSE - Direcção Editorial - Leonel de Oliveira-1994-LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA -Global Notícias Publicações, Lda. - 2004 - LISBOA.

INTERNET

ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA
CLIC PORTUGAL
LISBOA MONUMENTOS-


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sábado, 3 de setembro de 2016

LARGO DA AJUDA [ XI ]

«PALÁCIO DA AJUDA SUA ARQUITECTURA E DECORAÇÃO (3)»
 Largo da Ajuda - (2016) - ( O "LARGO DA AJUDA", ao fundo, o "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e no lado esquerdo a estátua do REI DOM CARLOS I) in   GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - (2012) Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAKA - "SALA DE BILHAR" do PALÁCIO DA AJUDA. O Rei D. Luís era grande frequentador desta sala, instalada no andar superior)  in    CLIC PORTUGAL  
 Largo da Ajuda - ( 2012 ) - Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAKA - (A "SALINHA CHINESA" do Palácio da Ajuda, era a primeira Sala por onde passavam os convidados. Aspecto de um BIOMBO Chinês)   in  CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHIZAKA - (Pormenor do "Contador Chinês" e "jarras Chinesas na "SALINHA CHINESA" do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA")   in   CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida por GLÓRIA ISHJZAKA - (Palácio da Ajuda " SALA DE JANTAR" onde  desde 1886, a Rainha  " DONA MARIA PIA DE SABÓIA"gostava de jantar)  in   CLIC PORTUGAL 
Largo da Ajuda - (c. 1952) Foto de António Passaporte - "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA", "SALA DO CORPO DIPLOMÁTICO" (Postal).   in   AML 

(CONTINUAÇÃO)- LARGO DA AJUDA [ X I ]

«PALÁCIO DA AJUDA SUA ARQUITECTURA E DECORAÇÃO(3)»


No vestíbulo,   situam-se os acessos ao          PALÁCIO, à BIBLIOTECA e à GALERIA DE EXPOSIÇÕES,  através de escadas de  cantaria e de arcos de volta perfeita.           O pátio, bastante amplo e com pavimento  em calçada portuguesa, tem duas alas  (NORTE e SUL) regulares com quatro pisos.   O inferior e o mezanino revestido a silharia  fendida, surgindo os demais divididos em   13 panos por pilastras toscano-jónicas. No piso inferior,   rasga-se um portal central   em arco de volta perfeita,   flanqueado por amplas      janelas rectilíneas, encimadas por   janelas quadrangulares; nos pisos superiores, janelas     de varandim com moldura simples e remate   em cornija, com guarda  balaustrada, encimada   por janelas de peitoril com molduras recortadas.
A ala SUL possuí, no lado direito, uma segunda porta de verga recta, de acesso a serviços da Direcção Geral.
INTERIOR composto por alas de salas intercomunicantes, com corredor central, onde se situam as escadas e elevadores.

Na zona do PALÁCIO, surge, um piso inferior, uma sucessão de salas museulizadas, iniciando-se por um lanço de escadas ladeadas por dois nichos, onde surgem duas esculturas a representar a JUSTIÇA e a PRUDÊNCIA, que ligam à SALA DOS ARCHEIROS.
Sucede-se a pequena SALA DO PORTEIRO DA CANA, a SALA DAS TAPEÇARIAS ESPANHOLAS, ANTE CÂMARA DA SALA DO DESPACHO também denominada, SALA DO RETRATO DE DOM CARLOS ou SALA DE DOM SEBASTIÃO. A SALA DO DESPACHO, a SALA DOS CONTADORES, também denominada, SALA DA TALHA  ou SALA DAS CÓMODAS. A SALA DE MÚSICA, possui tecto rectilínio pintado em tons de sépia, Branco Dourado, com oito medalhões a representar as armas de PORTUGAL, as dos DUQUES DE BRAGANÇA e as cruzes das ORDENS MILITARES.
O QUARTO DO REI DOM LUÍS, é percorrido por lambrim de madeira almofadada, pintada de branco e dourado. A ANTECÂMARA DO QUARTO REAL apresenta lambrim pintado, encimado por friso ornado por elementos fitomórficos enrolados, que centram vasos da flores. A SALA AZUL, o GABINETE DE CARVALHO é a sala anexa, que serve de sala de fumo. O JARDIM DE INVERNO, a SALA SAXE que tem as paredes forradas a seda.  A SALA VERDE revestida a seda verde, com tecto pintado de branco. A SALA COR DE ROSA, o QUARTO DA RAINHA, a CASA DE JANTAR DA RAINHA encontra-se totalmente revestida a talha em branco. A SALA DE BILHAR, ATELIER DE PINTURA DO REI, com várias obras do Rei DOM CARLOS I.
A BIBLIOTECA, SALA DE TRABALHO DO REI, a SALA DAS INICIAIS L.M. de "LUIS I e de MARIA PIA". A SALA CHINESA, SALA IMPÉRIO, SALA DO RETRATO DA RAINHA, SALA DOS GOBELINS, SALA DO CORPO DIPLOMÁTICO, a SALA DO TRONO, a SALA DE BAILE está anexa à anterior com as paredes forradas a seda vermelha.  A SALA DA SEIA apresenta uma cena alegórica que presta tributo a DOM JOÃO VI. 

Este edifício neoclássico da primeira metade do século XIX, foi residência oficial da família real portuguesa e de uma forma continuada a partir do reinado de DOM LUÍS (1861-1889) ao final da Monarquia, em 1910.
Após 1862 com a rainha DONA MARIA PIA DE SABÓIA (1847-1911), o PALÁCIO terá ganho mais vida renovada. 
A disposição e decoração das SALAS que ainda hoje se mantém, a cargo do Arquitecto JOAQUIM POSSIDÓNIO DA SILVA(1806-1936), acompanhou as normas de conforto e higiene características da segunda metade de oitocentos.
Em 1910, instalada a REPÚBLICA e exilada a família Real, encerrou-se o PALÁCIO.
Aberto ao público como MUSEU em 1968, o PALÁCIO conserva ainda hoje a disposição e decoração dos aposentos tipicamente oitocentistas.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ XII ] EPISÓDIOS DE BASTIDORES NO PALÁCIO DA AJUDA».