quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

RUA LUÍS PIÇARRA [ II ]

«A RUA LUÍS PIÇARRA ( 2 )»
 Rua Luís Piçarra - (2016) - (A "RUA LUÍS PIÇARRA" vista na sua totalidade, estando em primeiro plano a  "RUA HELENA VAZ DA SILVA")  in   GOOGLE EARTH
 Rua Luís Piçarra - ( 1950 ) - ("LUÍS PIÇARRA" cantando "AMOR É LUME" com Orquestra de JOÃO NOBRE. Uma "romanza" da Ópera "SALUQUIA" de João Camilo, com musica de SILVA TAVARES.  Esta verdadeira área de ópera já na partitura original tão aguda, foi ainda subida dois tons, para a voz do grande tenor "Luís Piçarra", que a terminou com um magnifico agudo)  in  YOU TUBE
 Rua Luís Piçarra - (1949) (Compilação de 1996) - (Pertence ao disco da "CANÇÃO DO RIBATEJO" cantado por "LUÍS PIÇARRA" com letra do próprio e música de "JOÃO NOBRE". Foi lançada uma compilação da série "CARAVELA" da VALENTIM DE CARVALHO)  in    CUSTO JUSTO 
Rua Luís Piçarra - ( 1945) - Em SÃO PAULO durante uma "tournée" pelo BRASIL, ao lado de "LUÍS PIÇARRA" está CELESTE RODRIGUES e AMÁLIA RODRIGUES, que participaram no espectáculo e outros elementos da Companhia   in   PORTUGAL ATRAVÉS DO MUNDO


(CONTINUAÇÃO) - RUA LUÍS PIÇARRA [ II ]

«A RUA LUÍS PIÇARRA ( 2 )»


Sem ter abandonado a Rádio, estreou-se no TEATRO popular com a opereta "A LENDA DOS SER CRAVOS" de "WENCESLAU PINTO", no TEATRO DA TRINDADE,  depois em grandes êxitos como "O ZÉ DO TELHADO", "COVA DA MOURA", "CHAVE DO PARAÍSO" e "FIDALGO DA ROSA".
Desempenhou também os principais papeis em reposições de "JOÃO RATÃO" e "A ROSA CANTADEIRA", e várias operetas do reportório VIENENSE, como "A VIÚVA ALEGRE" de FRANZ LEHÁR e "OS SINOS DE CORNEVILLE" de ROBERT PLANQUETTE.

O público fixou-o e acarinhou-o, devido às suas interpretações radiofónicas que a Emissora Nacional difundia diariamente com bastante agrado.
No final da segunda grande guerra Mundial, em 1945, "LUÍS PIÇARRA" vai ao BRASIL, onde permanece durante cerca de dois anos, cantando nos principais teatros do RIO DE JANEIRO e de SÃO PAULO, bem como nas capitais de outros estados brasileiros e interpretando as mais diversas óperas e operetas. Teve particular brilho a representação de "A ROSA CANTADEIRA" (que permaneceu longos meses), ao lado de "AMÁLIA RODRIGUES", foi nesse período que conheceu vedetas como LANA TURNER e ORSON WELLES. Depois, encetou uma digressão pelos restantes países latino-americanos, que culminou no MÉXICO. 
Regressa depois ao BRASIL e daí a PORTUGAL.  Na EUROPA, realizou então uma segunda digressão a  ITÁLIA, SUIÇA, ALEMANHA OCIDENTAL, INGLATERRA (com diversas actuações para a BBC), BÉLGICA e HOLANDA. Dez dias após ter regressado a PORTUGAL, foi contratado para a primeira figura de uma COMPANHIA DE ÓPERA ITALIANA ( o TEATRO DI S. CARLO, di NÁPOLES, sendo o mais antigo Teatro da Europa  ano de 1737) e com ele partiu para uma temporada de representações na cidade do CAIRO (EGIPTO) a que se seguiu um ano de contracto como cantor exclusivo no "PALÁCIO REAL DO REI FARUK", (que falava português sem sotaque), concedeu-lhe o título de "BEY" ( o  equivalente a CONDE). 
É nessa época que RAUL FERRÃO lhe envia uma partitura que lhe chamou «COIMBRA» e que ele a transformou num sucesso mundial com o nome de "AVRIL AU PORTUGAL"
Do CAIRO partiu em digressão pelo MÉDIO ORIENTE, que incluíam representações  no CHIPRE, LÍBANO e SÍRIA. Regressou depois pela TURQUIA, GRÉCIA e ITÁLIA, até chegar de novo a PORTUGAL. Com a sua reputação já bastante cimentada no início de 1951, estreou-se em PARIS como protagonista da opereta "COLORADO", ao lado da actriz franco-portuguesa (IRENE COSTA), após ter sido seleccionado para tal lugar pela empresária alemã "GERMAINE ROGER MONTJOIE", que no ano anterior tinha assistido a uma representação sua a «SINFONIA PORTUGUESA».
A opereta esteve em cena mais de 10 anos e a IMPRENSA local colocava o seu nome com ("LOU PIZARRA") ao lado de "TINO ROSSI", "ANDRÉ DASSARY", "GEORGE GUETARY" e "LUÍS MARIANO".
"LUÍS PIÇARRA" passou a actuar duas vezes por dia na "RADIO DIFUSION FRANÇAISE", além de ser requisitado pelos melhores teatros da capital, (com um dos melhores salários do país, recebia cerca de 300 contos por mês, acrescidos de 10% sobre a receita da bilheteira).

(CONTINUA) - (PRÓXIMO-11.01.2017)«RUA LUÍS PIÇARRA[ III ]-A RUA LUÍS PIÇARRA( 3 )».

sábado, 3 de dezembro de 2016

RUA LUÍS PIÇARRA [ I ]

«A RUA LUÍS PIÇARRA( 1 )»
 Rua Luís Piçarra - (2016)  - (Panorama de parte da freguesia do "LUMIAR" onde se insere a "RUA LUÍS PIÇARRA", antiga Quinta da MUSGUEIRA)  in   GOOGLE EARTH
 Rua Luís Piçarra - (2016) - (A "RUA LUÍS PIÇARRA" vista de cima, na freguesia do LUMIAR no sítio do "ALTO DO LUMIAR")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Luís Piçarra - (1945) - (Em 1945 LUÍS PIÇARRA parte para o BRASIL, onde inicia uma ascensão magnifica. Actua igualmente no famoso COLON de BUENOS AIRES. Interpretando várias Óperas e diversas Operetas)  in  PORTUGAL ATRAVÉS DO MUNDO 
Rua Luís Piçarra - ( 1940 ) - ("LUÍS PIÇARRA" é o interprete do HINO do "SPORT LISBOA e BENFICA", que  no seu Estádio quando a equipa entra, pode ouvir-se no sistema sonoro. A letra pertence a Manuel Paulino Gomes) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  BLOGUETOMAR


RUA LUÍS PIÇARRA [ I ]

«A RUA LUÍS PIÇARRA ( 1 )»

A «RUA LUÍS PIÇARRA" pertence à freguesia do «LUMIAR».
Começa na "RUA JOSÉ CARDOSO PIRES" e termina na "RUA HELENA VAZ DA SILVA", sendo-lhe convergente a "ALAMEDA DA MÚSICA" no seu lado esquerdo.


Por "EDITAL" Nº. 77/2003 fez saber que, por deliberação da C.M.L. foi aprovado por unanimidade na sua reunião de 26.11.2003, o arruamento acima indicado, sendo atribuído à "RUA 3.1" da MALHA 15 do ALTO DO LUMIAR, antes era o espaço da "QUINTA DA MUSGUEIRA", o topónimo de "RUA LUÍS PIÇARRA" - CANTOR - (1917-1999). Foi inaugurada no dia 1 de Outubro de 2004, juntamente com mais seis arruamentos com nomes de maestros, instrumentistas e cantores.
De seu nome completo; "LUÍS RAUL JANEIRO CAEIRO BARBOSA PIÇARRA VALDETERRAZO e RIBADANAYRA" nasceu em MOURA, no ALENTEJO a 23 de Junho de 1917, tendo falecido em LISBOA a 23 de Setembro de 1999. Embora mais conhecido por "LUÍS PIÇARRA". Filho de "LUIZ DA COSTA DE AGUILAR BARBOSA PIÇARRA e de D. LUÍSA MARIA CAEIRO, seu pai terá sido um grande proprietário, possuindo terras em MOURA e em CARCAVELOS. Seu avô materno "MANUEL CAEIRO GONZALES" descendia do irmão do 1.º MARQUÊS DE VALDETERRAZO, 1.º MINISTRO DE ESPANHA no período de (1840-1841).
Sua mãe era pianista, o avô tocava guitarra, talvez esta influencia terá atraído o jovem LUÍS para a música e em particular para o canto.
Ainda estudante de LICEU, frequentava os "COROS DA ÓPERA NACIONAL" e certo dia foi notado pelo maestro italiano "ALFREDO PODOVANI" que o terá aconselhado a seguir a arte do "BELO CANTO". No entanto, frequentou as faculdades de DIREITO (em COIMBRA) e de LETRAS, bem como a ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES (onde cursou ARQUITECTURA e ESCULTURA até ao 3º ano), fazendo esporadicamente algumas apresentações na "CASA DO ALENTEJO", com o igualmente jovem "NOBREGA E SOUSA" ao piano, antes de se decidir a envergar profissionalmente pelo canto, tendo já frequentado aulas de música na escola de "FERNANDO DE ALMEIDA" e aulas de canto com a professora "HERMÍNIA ALAGARIM" ( que no seu tempo havia conseguido tornar-se vedeta do TEATRO SCALA, em MILÃO). "LUÍS PIÇARRA" mais tarde seria discípulo do grande tenor "TITO SCHIPPA".

Possuidor de uma voz ímpar, com um timbre bastante melodioso, acrescido de boa extensão de agudos e de incontornáveis pianíssimos que o caracterizavam.
A sua estreia em público ocorreu numa récita do "BARBEIRO DE SEVILHA" de ROSSINI, dirigida pelo maestro "PEDRO BLANCH".
Numa crónica publicada no jornal "O SÉCULO", a propósito da estreia de "O BARBEIRO DE SEVILHA" escrevia "LUÍS DE FREITAS BRANCO" que: "temos em LUÍS PIÇARRA o interprete ideal  do "CONDE DE ALMAVIVA". ROSSINI teria encontrado no nosso compatriota a voz modelada e maleável com que sonhou ao escrever a difícil partitura".

Tinha começado então as suas actuações em festivais e saraus artísticos. Actuou em todas as estações de rádio existentes na época, e, mais tarde a EMISSORA NACIONAL contrata-o por três anos como tenor oficial, tendo nesse espaço de tempo efectuado cerca de 350 emissões em directo, acompanhado por todas as orquestras, e sob a direcção dos principais maestros portugueses da altura.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PIÇARRA [ II ] -A RUA LUÍS PIÇARRA ( 2 )».

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O 1.º DE DEZEMBRO

«PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 2016»
 1.º de Dezembro de 2016 -  ( 2012) - Foto de  Graciano Coutinho ( Praça do Comércio anterior Terreiro do Paço, onde se desenrolou sensivelmente neste sítio os conflitos no Paço da Ribeira). in O POVO

A comemoração do 1.º de DEZEMBRO de 2016 ( dia que assinala a (RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL). Destituindo o representante dos "HOBSBUGOS" e proclamando um REI português ( D. JOÃO IV ). Com a preciosa ajuda de cinquenta homens, 40 da Nobreza e os restantes do Clero e Militares. Quanto aos Nobres são também conhecidos por "OS QUARENTA CONJURADOS", por estarem envolvidos quarenta Brasões.

                                                                       --//--

Quero agradecer ao NOVO GOVERNO por atender às reivindicações dos anos transactos, e repor o feriado. 

                                                                              --//--

(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PIÇARRA [ I ] A RUA LUÍS PIÇARRA( 1 )»

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

LARGO DE ANDALUZ [ V ]

«O VIADUTO DO LARGO DE ANDALUZ»
 Largo de Andaluz - (1997) - Foto de Jorge Ribeiro - (O Viaduto sob a "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO" , com outro viaduto dentro do ARCO, adaptado para a passagem do METRO)  in  ARCOS DE LISBOA 
 Largo de Andaluz - (195_) - (Foto de Judah Benoliel) - (O "VIADUTO DA AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO", com o BRASÃO da Cidade de LISBOA - no centro superior  do ARCO -, vista da "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA")   in     AML 
 Largo de Andaluz - (1947) - (Foto de Fernando Martinez Pozal) - (ARCO visto da "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA" para o "LARGO DE ANDALUZ". Viaduto da "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO", Arco encimado pelo BRASÃO do Município de LISBOA) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
Largo de Andaluz - (191_?) (Foto de Alberto Carlos Lima) - (ARCO do VIADUTO da "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO", que liga a "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA" ao "LARGO DE ANDALUZ") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DE ANDALUZ [ V ]

«O VIADUTO DO "LARGO DE ANDALUZ"»

No VIADUTO sob a «AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO» ( 1 ) existe o "ARCO DE ANDALUZ" que se situa na junção da "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA" e o "LARGO DE ANDALUZ". 
Uma vez no "LARGO", convirá  -  por questão de homenagem aos antigos construtores de LISBOA  -  observar o VIADUTO que se abre sob a referida Avenida, dando para a "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA e o "LARGO DE ANDALUZ".
O "fenómeno" é este: a obra tem hoje 118 (cento e dezoito anos),  foi construído  em 1898, e ninguém se lembra hoje de "HENRIQUE SABINO DOS SANTOS", funcionário da "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA", principal responsável pelos trabalhos.  Pois este viaduto, teoricamente construído para suportar carruagens e gente a pé, apanhou em cima com eléctricos, autocarros, automóveis, transito em doses maciças; por último, abriram-no para por lá passar o METROPOLITANO.  E ali está - aparentemente sem esboroar, sem se queixar, sem fazer notar a sua idade...  Dá vontade de comparar com obras recentes, mal inauguradas e já a meter água, enfim...

Trata-se de um ARCO de passagem de dimensão acima do habitual, que começou a ser construído em 1898 e concluído no ano de 1900, por iniciativa da "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA".
Desenhou-o e executou-o o condutor de obras públicas dos serviços Municipais já referido, mas nunca é demais relembrá-lo "HENRIQUE SABINO DOS SANTOS".

Desde que o METROPOLITANO foi criado, este ARCO passou a ter uma particularidade ímpar, entre os vários Arcos existentes em LISBOA, ou seja de ser atravessado no "intradorso" pela via daquele novo meio de transportes público.
A instalação deste viaduto no interior do ARCO dá uma ideia da sua dimensão: e dizemos «uma ideia» porque não se consegue obter dos serviços da CML um corte da dita construção, a partir do qual nos tivesse sido possível colher a indicação acerca da altura. Quanto a medidas ao nível do solo  -  já acessíveis à nossas verificação directa  -  constatámos  serem as seguintes: um "VÃO" de nove metros e meio e comprimento de "TÚNEL" quarenta metros. Retomando a questão da altura ela é suficientemente grande  -  como já assinalámos  - por ter permitido o já citado lançamento do viaduto do METROPOLITANO através de duas aberturas praticamente nas faces laterais do  "intradorso" do ARCO.  Tivemos ocasião de ser informados pelo prestimoso e amável senhor Engº. BRAZÃO FARINHA - um dos responsáveis pela execução dos trabalhos levados a cabo nessa época  pelo "METROPOLITANO E.P."  -  ter havido a preocupação de preservar o mais possível as obras realizadas, o que tanto quanto nos foi afirmado, se conseguiu plenamente.  [ FINAL ]

- ( 1 ) - Arruamento de 1900 que homenageia o chefe do PARTIDO REGENERADOR. «ANTÓNIO MARIA FONTES PEREIRA DE MELO (1819-1887)», que presidiu o CONSELHO DE MINISTROS  de 1876 a 1886, período que ficou conhecido pelo "FRONTISMO".
Esta artéria que faz a ligação da "PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL" à "PRAÇA DO DUQUE DE SALDANHA", integra o projecto das AVENIDAS NOVAS, do ENGENHEIRO RESSANO GARCIA, aprovado em 1888 pela C.M.L.. Para permitir a abertura desta AVENIDA entre 1895 e 1900, foi necessário expropriar terrenos nas PICOAS e construir o "VIADUTO DE ANDALUZ", que regularizou a topografia acidentada do local.


BIBLIOGRAFIA

- 1 - ACTAS DA COM.MUNICIPAL DE TOPONÍMIA DE LISBOA - Ed. C.M.L.-2000-LISBOA.
- 2 - ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA-Liv. XIV-1993-LISBOA.
- 3 - ARCOS DE LISBOA-Texto JOSÉ SÁ E SILVA-Fotos JORGE RIBEIRO-INAPA-1997-LISBOA.
- 4 - AS FREGUESIAS DE LISBOA -Augusto Vieira da Silva-Ed. C.M.L.-1943-LISBOA.
- 5 - ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA - FILIPE FOLQUE-C.M.L.-2000-LX.
- 6 - DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA-Dir. Francisco Santana e Eduardo Sucena-C.M.L. - 1994-LISBOA.
- 7 - FLORES, Alexandre M. -Chafarizes de Lisboa - INAPA-1999-LISBOA. 
- 8 - LISBOA-Revista Municipal -Ed. C.M.L.-ANO XLV 2ª. Série Nº. 7-1º Trimestre-1984-LISBOA.
- 9 - LISBOA-REVISTA MUNICIPAL-Ed. CML-ANO XLIX-2ª. Série Nº. 24-2º Trimestre 1988-LISBOA.
- 10 - VIDAL, Angelina-LISBOA ANTIGA e LISBOA MODERNA-Ed. Vega-1994-LISBOA.

(PRÓXIMO)«RUA LUÍS PIÇARRA[ I ]-A RUA LUÍS PIÇARRA ( 1 )»

sábado, 26 de novembro de 2016

LARGO DE ANDALUZ [ IV ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 4 )»
 Largo de Andaluz - (1949) - (Foto de autor não identificado) - (Edifício de habitação no "LARGO DE ANDALUZ", que lhe valeu o "Prémio Municipal de Arquitectura" pela definição do gaveto)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA 
 Largo de Andaluz - (195_) - (Foto de Firmino Marques da Costa) - (Edifício que ganhou o prémio Municipal de Arquitectura, visto do ARCO DO VIADUTO do Largo de Andaluz, uns anos mais tarde) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Largo de Andaluz - ( 1960 ) - Foto de Armando Serôdio)  - (O "CHAFARIZ DE ANDALUZ" virado para a "RUA DE SANTA MARTA", já com um aspecto mais livre na parte de trás)  in   AML
 Largo de Andaluz - (1939) - (Foto de Eduardo Portugal ) - (O CHAFARIZ DE ANDALUZ ainda com o seu espaldar muito elevado e um pouco degradado)   in     AML 
Largo de Andaluz - (1939) - (Foto de Eduardo Portugal) - (O "CHAFARIZ DE ANDALUZ" que ostenta as armas de PORTUGAL e de LISBOA. Estas ARMAS foram uma das fontes do desenho das actuais ARMAS de LISBOA, adoptadas em 1940. A inscrição remonta ao século XIV)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO)- LARGO DE ANDALUZ [ IV ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 4 )»

No espaldar do "CHAFARIZ DE ANDALUZ" aparecem as armas Reais e as Municipais, que mais tarde, servem de referencia para adoptar estas figuras Heráldicas.

Estas «ARMAS DE PORTUGAL» e de «LISBOA» que se encontram no  "CHAFARIZ DE ANDALUZ", as quais datam de 1336, foram uma das fontes do desenho das actuais "ARMAS DE LISBOA", adoptadas em 1940, com fundamento em parecer da "COMISSÃO DE HERÁLDICA DA ASSOCIAÇÃO DOS ARQUEÓLOGOS PORTUGUESES", segundo o qual "a "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA" deve restaurar para a ordenação do seu selo, exactamente as peças simbólicas que aparecem nos mais antigos e belos documentos que restam dos primeiros séculos da nacionalidade".
Esta representação de SIMBOLOGIA juntamente com a mais antiga da bica de ARROIOS, foram motivo de discussão e aprovação na Sessão de 18 de Setembro de 1920, conjuntamente com a Secção de ARQUEOLOGIA LISBONENSE e de HERÁLDICA.

O motivo era submeter à apreciação dos consórcios uma carta do vereador da C. M. L., "ALMEIDA SANTOS", acompanhada de uma proposta do seu colega "EDUARDO MOREIRA" «para que fosse modificado o brasão de armas da capital».
Ficou apenso na acta um "parecer" de MATOS SEQUEIRA em que, quanto ao BRASÃO DE LISBOA, opta pelas mais antigas representações que são:  as BICAS de "ARROIOS" e de "ANDALUZ" - o primeiro de 1360 e o segundo de 1374 - e acrescentando; «na mesma ordem de ideias entendo que os corvos ( e não o corvo) que aparece nos mais vetustos documentos, devem ser colocados um à proa e outro à popa, de bico voltado para dentro da embarcação».

EDIFICAÇÃO RENOVADA NO SÍTIO DE ANDALUZ

O Edifício mandado construir por "MANUEL JOSÉ JÚNIOR" no "LARGO DE ANDALUZ", 15 e 15C e "LARGO DAS PALMEIRAS", 11 e 11A, com projecto dos Arquitectos "JOSÉ LIMA FRANCO e "DÁRIO SILVA VIEIRA", foi-lhe atribuído o PRÉMIO MUNICIPAL DE ARQUITECTURA de 1949.  A definir gaveto, este imóvel, onde se observa a presença de modelos construtivos do ESTADO NOVO, anuncia já um certo ar de modernidade. Com uma linguagem formal depurada, apresenta como únicos elementos decorativos dois baixos-relevos em pedra sobre as portas de entrada. Caracteriza-se para uma função mista de habitação e escritórios.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DE ANDALUZ [ V ] -O VIADUTO DO LARGO DE ANDALUZ».

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

LARGO DE ANDALUZ [ III ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 3 )»
 Largo de Andaluz - (2014) - (O "LARGO DE ANDALUZ" ao fundo, à nossa direita  o VIADUTO, na esquerda a "RUA ACTOR TASSO")  in   GOOGLE EARTH 
 Largo de Andaluz - ( 2014 ) - (Outro aspecto do "CHAFARIZ DE ANDALUZ", já depois das obras de intervenção)  in    GOOGLE EARTH
 Largo de Andaluz - (1961) Foto de Armando Serôdio - ( "Lápide" no "CHAFARIZ DE ANDALUZ" com as Armas do Reino e de LISBOA)   in    AML  
 Largo de Andaluz - (1951) Foto de Eduardo Portugal - (Aspecto do "Chafariz de Andaluz" com sua lápide e escudos colocados na parede do espaldar do Chafariz) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML
Largo de Andaluz - (C. de  1940) - Foto de Eduardo Portugal - Aspecto do "LARGO DE ANDALUZ"  na década de quarenta do século vinte)   in   AML



(CONTINUAÇÃO) - LARGO DE ANDALUZ [ III ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 3 )»

Falando ainda da água que passava no "CHAFARIZ DE ANDALUZ".
No lugar onde hoje existe este CONVENTO havia unicamente a IGREJA DE SANTA JOANA, pertença de uma QUINTA de D. ÁLVARO DE CASTRO que, por seu falecimento foi deixada em testamento para ali se estabelecer um "COLÉGIO DE MISSIONÁRIOS DA ÍNDIA"; cuja função teve lugar em 25 de Novembro de 1699; e quando estas FREIRAS fugiram do seu CONVENTO DA ANUNCIADA, assustadas de verem morrer dez religiosas nas  RUÍNAS pelo TERRAMOTO de 1755, e juntas com as dos CONVENTOS da ROSA e SALVADOR, entraram neste seu actual CONVENTO; se bem que tivessem tão poucas acomodações, pois logo em seguida se gastaram duzentos mil cruzados nas Obras, que mandaram fazer.  Não foram por certo aqueles tanques e canos, que se diz - antiquíssimos - e as ditas FREIRAS, apenas ali contavam onze anos de existência, logo temos por mais coerente, que os sobejos haviam de há muito sido dados ao acima mencionado (D. ÁLVARO), e as mencionadas FREIRAS na falta de titulo legal, propunham aquele aforamento.

Diz-nos ainda "ANGELINA VIDAL" no seu livro "LISBOA ANTIGA E LISBOA MODERNA" no século dezanove: "No "LARGO DE ANDALUZ" temos um chafariz de água transparente e muito límpida, levemente salgada, sem cheiro, e tendo diluídos sulfatos de magnésio e silício-carbonatos com as mesmas bases, e cloretos de potássio e sódio, são bastante procurados para enfermos de doenças cutâneas".

Já no século XIX esta pacato "LARGO DE ANDALUZ" que outrora terá sido também conhecido pela "TRAVESSA DOS CARROS" mas venceu a designação do "CHAFARIZ DE ANDALUZ" em memória da obra realizada no abastecimento de água aos moradores da região dos "ANDALUCES".
Viu-se subitamente invadido por uma multidão ruidosa que, empunhavam copos, bilhas e garrafões, discutia-se com desrespeitosos atropelos a sua vez na fila.
Deu-se o caso de "LEPIERRE" analisar a água desta histórica "bica de Andaluz", publicando nos jornais a sua composição "Sulfatada - calcária" e o seu possível valor medicinal, sugerido pela comparação com a sua similar nas "TERMAS DA CURIA".
Mas "ARMANDO NARCISO", protestou nos periódicos que a água oferecia perigo para uso interno. E, enquanto os dois mestre da Hidrologia discordavam, o reclamo à americana, foi-se produzindo e podemos dizer que nunca nenhuma água foi tão procurada por tanta gente em tão curto espaço de tempo. Certo é que o produto funcionou até 1945, altura em que as suas águas foram desviadas para o esgoto. Tendo o "CHAFARIZ DE ANDALUZ" chegado a um estado de degradação considerado, sendo restaurado na década de 60 do século XX, bem como toda a zona envolvente ao "CHAFARIZ".

A nossa abordagem foi mais o chafariz e a ele demos mais destaque. Convém frisar que toda esta zona é de muito antigo povoamento e era de extensão incomparavelmente superior à actual. Hoje «ANDALUZ" está confinado a um "LARGO"; outrora foi toda uma zona larga. Ora, o CHAFARIZ é como que a certidão de idade do local. Embora seja hoje um pouco ignorado da maioria dos lisboetas, data do século XIV e nele surgiu a primeira representação em pedra do BRASÃO da CIDADE DE LISBOA, com a sua BARCA e os seus CORVOS. É efectivamente muito modesto o monumento, como se pode ver, mas isso não lhe tira a antiguidade e a utilidade que teve, até as suas águas serem consideradas impróprias para consumo. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DE ANDALUZ [ IV ]-O LARGO DE ANDALUZ ( 4 )».

sábado, 19 de novembro de 2016

LARGO DE ANDALUZ [ II ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 2 )»
 Largo de Andaluz - (2014) - ( O local onde está instalado o "CHAFARIZ DE ANDALUZ" com a sua frente virada para a "RUA DE SANTA MARTA")  in   GOOGLE EARTH
 Largo de Andaluz - (2008) - Foto de autor não identificado - (Lápide do espaldar do "CHAFARIZ DE ANDALUZ", com as armas de PORTUGAL e de LISBOA) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in   WIKIPÉDIA
 Largo de Andaluz - (1984) -Foto de autor não identificado - (O aspecto do "CHAFARIZ DE ANDALUZ", sendo um dos mais antigos de LISBOA, remontando ao século XIV)  in  LISBOA-REVISTA MUNICIPAL Nº.7
 Largo de Andaluz - (1959) Foto de Armando Seródio - ( O "ARCO DE ANDALUZ" que serve de VIADUTO à "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO" -já com o viaduto do Metro- ligando o "LARGO DE ANDALUZ" à "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA")  in    AML 
Largo de Andaluz - (1939) Foto de Eduardo Portugal - ( O "CHAFARIZ DE ANDALUZ" nesta altura ainda agarrado a um prédio e muito mal tratado)   in     AML 

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DE ANDALUZ [ II ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 2 )»

A sua arquitectura infraestrutural, vernácula, de CHAFARIZ urbano, com espaldar simples rectangular e rematando em friso e cornija, com uma bica que verte para um tanque de pequenas dimensões, de bordo boleado, demonstrando que servia de bebedouro aos animais. No espaldar, surgem as ARMAS NACIONAIS e as MUNICIPAIS.

A construção do chafariz e aproveitamento da sua água ronda o ano de 1336, vindo de um poço na QUINTA da "RUA DE SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA, no número 141, a qual pertencia  a "DONA MARIA GERTRUDES, viúva do  ex-MINISTRO DO BAIRRO DE ANDALUZ  "JOÃO ANTÓNIO MAYER".

Em 1522, o Doutor LUÍS TEIXEIRA, e sua mulher "DONA FILIPA MENDES, senhoria útil desta QUINTA, propuseram  uma acção ao SENADO pela falta que lhes fazia a água daquele poço.  DONA FILIPA casa em segundas núpcias com FERNANDO MARTINS, Desembargador do Paço, pedindo trezentos mil réis pela concessão da água pelo tempo de três vidas.   No ano de 1766 as FREIRAS DO CONVENTO DE SANTA JOANA, apresentavam ao SENADO, que tinham grande falta de água, e que tinham notícia de que um tal FRANCISCO GARCIA LIMA, então possuidor da dita QUINTA, colocara uma nora naquele poço para regar a sua horta, e esta era a razão da falta que sentiam.
Na mesma ocasião apareceu outro requerimento das mesmas FREIRAS, pedindo se lhes mandassem dar os sobejos desta BICA, e a terça parte da água pura, alegando haver no CONVENTO mais de 500 pessoas, e se bem que clausuradas, se julgavam com igual direito aos demais habitantes; se contudo os não pudesse haver gratuitos, estavam prontas a fazer aforamento. Este requerimento teve por Despacho no dito dia 28 de Julho de 1766.

No dia 4 de Abril de 1769, mas com data deste dia existe uma ordem do SENADO, que diz assim: "O Vereador do Pelouro das obras, com todos os seus subalternos passe à CALÇADA DE SÃO SEBASTIÃO, e QUINTA de FRANCISCO GARCIA LIMA, e nela faça demolir o engenho de nora, e pilares que assenta no poço de que a água há muitos anos é própria do público e não de particular, por Escritura que se celebrou com este SENADO, no Arquivo do qual se acha".
O SENADO era de opinião favorável aos pedidos das FREIRAS, e cuja consulta baixou resolvida em 20 do mesmo mês, mandando dar-lhe a água e sobejos sem ónus, ou pensão alguma. As FREIRAS lavraram uma ESCRITURA de posse com data de 1 de Junho do referido ano de 1769.
Do exposto se conclui; que na CERCA das ditas FREIRAS existem dois tanques, e canos muito antigos por onde se encaminhavam os sobejos; que elas já anteriormente recebiam, por que se queixaram da sua falta e, finalmente, propunham até fazer deles aforamento; e por isso oferece dúvida, ficara suspenso, embora o caso se possa explicar a seguir.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DE ANDALUZ[ III ]O LARGO DE ANDALUZ ( 3 )».