sábado, 26 de maio de 2018

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ V ]

«A IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO ( 1 )»
 Calçada Marquês de Tancos - (26 de Fevereiro de 2003) Foto de HIPERSYL)  -  (Fachada principal da Igreja de São Cristóvão no Largo de São Cristóvão)   in   WIKIPÉDIA
 Calçada Marquês de Tancos - (24.10.1901) Foto de Machado & Sousa )  -  (A Igreja de São Cristóvão visto do lado da Calçada do Marquês de Tancos) (ABRE EM TAMANHO GRANDE) in  AML 
Calçada Marquês de Tancos - ( 1944 ) foto de Horácio Novais - (Fachada da Igreja de São Cristóvão no LARGO DE SÃO CRISTÓVÃO)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ V ]

«A IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO ( 1 )»

A «IGREJA DE SÃO  CRISTÓVÃO» situada na "LARGO DE SÃO CRISTÓVÃO", de Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. IGREJA PAROQUIAL que se enquadra na tipologia do final do século 17 Português. Foi construída  na primeira metade do século XVIII. De frontaria robusta e de linhas simples, dividida por pilastras, decoração concentrada no pórtico, janelas janelas simples e vão rectangular, a coroa-la um frontão triangular de linhas diversas ladeadas por duas torres sineiras.
Mais metro menos metro onde outrora se erguem uma outra, remonta à época ISLÂMICA, quando os Moçárabes de LISBOA aqui tiveram a sua Sede, sob a invocação de "SANTA MARIA DE ALCAMI; possivelmente do século XII.
O edifício obviamente alterado, foi  reconstruido ao longo dos séculos, tem por base uma construção antiga.  Reformas alteraram a sua fisionomia original e no século XVIII deu-se a construção que chega até aos nossos dias.

Desta forma, das primícias pouco ou nada resta; tinham já sido várias as remodelações efectuadas até chagar o fatídico 1 de Novembro de 1755. Os sismos do século XVI devem ter provocado danos. Há notícias de grandes obras em 1609 e 1610 e em 1655. No entanto o Terramoto do século XVIII provocou danos no templo, tendo, nomeadamente, caído parcialmente as duas torres sineiras. Seguiu-se a reconstrução, concluída em 1783. A versão não foi ainda definida: a IGREJA actual é do século XIX (entre 1839-1846), conservando as linhas mestras, que serão as do século XVII.
Com a reconstrução seiscentista da IGREJA, alterou a feição primitiva, de que restam as nervuras das abóbadas na capela-mor e as grossas paredes do corpo central, com mais de dois metros de espessura. É um dos poucos momentos do século XVIII, da área de LISBOA.
De linhas simples da elegante fachada barroca, aliás ultimamente libertada de um balcão-adro de dupla escadaria escadaria, com recinto gradeado, que encostava ao portal principal encimado por nicho onde aloja a imagem de "SÃO CRISTÓVÃO".

Na fachada Norte, outro portal do mesmo estilo, tem na parte superior, a seguinte inscrição: CHRISTOPHORUM /  SENET ONERI SEDES TENET IPSE /  SONANTEM /  EST ONERI SEDES UTRAOP RVQS VO.

Junto à CAPELA-MOR existem 2 lápides, uma de cada lado com a seguinte inscrição: "ESTA CAPELLA HE DA /  IRMANDADE DO SANTI- / SSIMO SACRAMENTO /  DESTA IGREJA E A FIZE / RAM À SUA CUSTA OS IR / MÃOS DELLA E  SE ACA- /  BOU NO ANNO DE 1671".  -  "A QUAL CAP.ª LHES DERAO /  OS RDOS POR E BENDOS DES- / IGRA COM AS CLAVSV- / LAS E CONDOCOES DA / ESCRITA FTA NAS NOT-/ TAS DO TAM  AURELIO / MIRANDA EM 13 DE SETEMBRO DE 1672 ANNOS".


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS[ VI ]A IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO ( 2 )»

quarta-feira, 23 de maio de 2018

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ IV ]

«O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 3 )
 Calçada Marquês de Tancos - (1968) Foto de Armando Madureira  -  (Um troço da Calçada Marquês de Tancos, com o Palácio à esquerda e o Marcado Chão de Loureiro à direita) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
 Calçada Marquês de Tancos - (1912) - Foto de Joshua Benoliel  -  (Novas instalações do Registo Civil, no edifício do Palácio Marquês de Tancos)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
Calçada Marquês de Tancos -  ( 1970 ) Foto de João Hermes Cordeiro Goulart  - (O Palácio Marquês de Tancos na actual freguesia de SANTA MARIA MAIOR)   in     AML 

(CONTINUAÇÃO)-CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ IV ]

«O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 3 )»

O comerciante "MANUEL ALVES DINIS" adquiriu, já no terceiro quartel do século XIX o "PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS", já em algum estado de ruína. Ficaram para trás pelo menos três séculos de vida fidalga, com saraus, recepções, partidas e chegadas de coches e "berlindas" ( 1 ). 
O seu interior foi adaptado a prédio de rendimento, passando a seu alugado a várias instituições. O seu novo proprietário procedeu a obras de conservação e passou a alugar, piso por piso, todas as salas.
Curiosamente , os estabelecimentos de ensino passaram a ter ali morada quase privilegiada. Foi o caso do célebre "COLÉGIO DAS HUMANIDADES" dirigido pelo padre FERNANDO CICOURO, instalado no piso térreo em 1839, funcionou naquele local até 1893. O mesmo se diga de um "CENTRO DE EDUCAÇÃO DO POVO".
A família TANCOS que ainda ocupava o andar nobre até cerca de 1865, retirou-se do PALÁCIO que entrou em regime de inquilinato.

No andar NOBRE funcionaram também, sucessivamente a "ESCOLA COMERCIAL VEIGA BEIRÃO" de 1919 a 1941, (depois instalada no "LARGO DO CARMO") e a "ESCOLA COMERCIAL PATRÍCIO PRAZERES" ( hoje edificado um novo estabelecimento de ensino de raiz no "ALTO DO VAREJÃO). A "ESCOLA PRIMÁRIA N.º 19 e depois N.º 10 ganharam ali raízes.
Duas Associações, uma profissional e outra cívica, escolheram também para sede o PALÁCIO: a velha "ASSOCIAÇÃO DOS CAIXEIROS" e a "ASSOCIAÇÃO DO REGISTO CIVIL".

A arte andou por ali: a pintura teve lugar de honra, já que de 1925 a 1950 morou "CARLOS BOTELHO", onde criou o seu "ATELIER DA COSTA DO CASTELO" que, entre muitas outras obras magnificas, nos legou algumas telas com o panorama que avistava das suas janelas sobre LISBOA e o RIO. Nas antigas Cocheiras, foram ocupadas por diversas oficinas.
A MÚSICA também esteve representada neste PALÁCIO durante anos: assim  aconteceu com a "ACADEMIA MUSICAL DE AMADORES" (actual) "ACADEMIA AMADORES DE MÚSICA" e com a "TUNA COMERCIAL DE LISBOA" que deu concertos em vários teatros da cidade.
A "ASSOCIAÇÃO DE MORADORES" ocupa parte do andar nobre e ai instala um CLUBE DE HALTEROFILIA; o partido MRPP ocupa igualmente o edifício no N.º 70.

Em 1980 a família de MANUEL ALVES DINIS vende o PALÁCIO à CML, em 1987 a CML cede os pisos 4 e 5 à "COMPANHIA DE DANÇA DE LISBOA"(CDL); em 1992 a "CDL" cria um projecto de recuperação da antiga residência e atelier do pintor CARLOS BOTELHO, no ano de 2006 em 22 de Agosto existe um parecer da DRC de LISBOA para definição da BAIXA POMBALINA e imóveis classificados na sua área envolvente.
Em 10 de Outubro de 2011 o "CONSELHO NACIONAL DE CULTURA" propõe o arquivamento de definição da zona especial de Protecção. A 18 de Outubro do mesmo ano, um despacho do Director do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de ZONA ESPECIAL DE PROTECÇÃO.

- ( 1 ) - BERLINDAS - Carro antigo, parecido com uma carruagem. Possuindo quatro rodas e eram bem rápidos para a época (1670). Concebido na Alemanha para FREDERICO GUILHERME I, a carruagem ficou com o nome da capital desse país nessa altura. 


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS[ VII ]MERCADO DE CHÃO DE LOUREIRO E O ESTACIONAMENTO DA EMEL ( 1 )».

sábado, 19 de maio de 2018

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ III ]

«O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 2 )»
 Calçada Marquês de Tancos - ( 2011 )  - (Fachada principal do "PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS" na COSTA DO CASTELO)  in   MONUMENTOS-SIPA
 Calçada Marquês de Tancos - (2011)  -  (Interior do Palácio, sala revestida com silhares de azulejos)  in  MONUMENTOS-SIPA
 Calçada Marquês de Tancos -  (1961) Foto de Armando Maia Serôdio  - (Palácio Marquês de Tancos, na Calçada Marquês de Tancos. Painel de Azulejos no interior do Palácio)  in    AML 
Calçada Marquês de Tancos - (1945) Foto de Eduardo Portugal  -  (Antiga casas dos criados da Casa de TANCOS, ao fundo a Abóbada da Igreja de São Cristóvão)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 


(CONTINUAÇÃO)-CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ III ]

«O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 2 )»

"DOM JOSÉ MANUEL" CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA, irmão do 1.º MARQUÊS DE TANCOS, tendo vivido alguns anos no PALÁCIO, um ano antes do Terramoto de 1755, deixou de viver no PALÁCIO. Antes, seu irmão pedira o alargamento das RUAS de acesso, em especial da "CALÇADA" para facilitar a subida íngreme das carruagens. Apeado o casario circundante, foi reconstruído o edifício, dando-lhe o aspecto grandioso da residência dos "ATALAIAS" e "TANCOS", onde habitou, até meado de oitocentos, o 10.º CONDE DE ATALAIA "DOM LUÍS PEREGRINO DE ATAÍDE (1700-1758).
No interior do PALÁCIO (apesar dos espaços terem sido sucessivamente transformados) destaca-se ainda o ANDAR NOBRE, cuja entrada a NE se faz por amplo átrio rectangular que conduz aos salões virados ao RIO, tendo todas as divisões silhares de azulejos de composição figurativa, conservando grande parte do recheio artístico original com destaque para o espólio azulajar por painéis de finais do século XVII a meados do séc. XVIII.

A Noroeste as salas têm dimensões mais reduzidas e convergem para uma sala semi-circular - ORATÓRIO - que abre para o terraço também revestido de azulejos. Dezenas de painéis formando silhares revestem as paredes dos vários pisos do edifício, destacando-se o piso 4 (ANDAR NOBRE). Na sua maioria são painéis monocromos  - azul de cobalto em fundo branco, de padrão, figura avulsa, composição ornamental ilustrando episódios das "METAMORFOSES" de "OVÍDIO", da "ILÍADA" de HOMERO, caçadas, cenas galantes e  campestres. 
É ainda no andar nobre que os antigos salões são ornamentados com silhares de azulejos, vendo-se uma série de quatro painéis a ornamentar uma das aulas, nelas fugurando, no topo e no centro as armas dos MANUÉIS.

Diz-nos o Mestre NORBERTO DE ARAÚJO nas suas "PEREGRINAÇÕES A LISBOA": "essas renques de casas defronte do PALÁCIO, na RUA que desce a S. CRISTÓVÃO, (presentemente) melhoradas de aspecto, acusam construção antiga e oferece um aspecto de certo modo gracioso; foram em tempos moradas de criados da casa de TANCOS".

CURIOSIDADE


Do LATIM vulgar "CALCIATA", «CALÇADA» é uma RUA pavimentada com material duro ou uma ladeira íngreme, aludindo às vias romanas, sendo uma toponomenclatura muito frequente em PORTUGAL e na GALIZA, onde é chamada de "CALZADA". Da CALÇADA deriva CALÇADINHA de menores dimensões. [Fonte: TOPONÍMIA DE LISBOA]


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS[ IV ]O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 3 )».

quarta-feira, 16 de maio de 2018

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ II ]

«O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 1 )
 Calçada Marquês de Tancos - (2011)  -  ("PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS" na Calçada com o mesmo nome , freguesia de SANTA MARIA MAIOR)  in  SIPA-MONUMENTOS
 Calçada Marquês de Tancos  -  (2011)  -   (Palácio Marques de Tancos, portão do pátio de acesso ao andar nobre)   in   SIPA-MONUMENTOS
 Calçada Marquês de Tancos - (entre 1898 e 1908) Machado & Sousa - (PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS nos séculos XIX princípio de XX)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in   AML 
Calçada Marquês de Tancos -  Foto de Eduardo Portugal (1900-1958) (Possivelmente da segunda década do século XX)  -  (Parte baixa da CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS, podendo ainda se ver, a cúpula da IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ II ]

«O PALÁCIO MARQUES DE TANCOS ( 1 )»

As coberturas do «PALÁCIO» são diferenciadas, com telhados de 2, 3 e 4 águas, revelando a disposição horizontal dos volumes. A extensa fachada SO, é animada horizontalmente pelas fileiras de janelas de parapeito no 3.º piso e de sacada com guarda de ferro no andar nobre; no piso 5 destaca-se uma fiada de janelas cegas que correspondem ainda às salas de pé-direito duplo do piso 4.º. Nas extremidades NO e SE duas janelas com varandas de ferro, correspondem a sala do piso 5. Os pisos Térreos, a SO, com portas e janelas correspondem a lojas e oficinas que o ocuparam, são revestidos por cantaria aparelhada.
Não se poderá dizer, com justiça, que seja de extraordinária beleza. Trata-se antes de uma imponente massa arquitectónica, com um aspecto de solidez e sobriedade, uma amostra de boa cantaria, residindo o seu encanto exterior sobretudo nas 15 janelas.
De qualquer forma, o edifício compensa em história qualquer carência que eventualmente se lha aponte no que respeita à formosura.
Para a história ser mais completa, diga-se que há notícias deste PALÁCIO desde tempos recuados.
No século XVI mais exactamente em 1539 já existia naquele local uma modesta CASA NOBRE que pertencia a "DOM ANTÓNIO DE ATAÍDE" (1500-1563), 1.º CONDE DE CASTANHEIRA. Sua filha "DONA JOANA DE ATAÍDE" casou com "DOM NUNO MANUEL" 2.º SENHOR DE ATALAIA, DE SALVATERRA E DE TANCOS. No início do século 17 aqui residiu o 1.º CONDE DE ATALAIA, "DOM FRANCISCO MANUEL DE ATAÍDE" é possivelmente o responsável pela transformação da casa Quinhentista num PALÁCIO. Novas ligações, por casamentos, dos titulares levaram a que o PALÁCIO fosse indicado em finais do século XVII, como a casa do CONDE DE "VALE DE REIS".
A família era a mesma e, entretanto, já no século XVIII o 6.º CONDE DE ATALAIA foi honrado com o título de «MARQUÊS DE TANCOS», "DOM JOÃO MANUEL DE NORONHA" (1679-1761) ( 1 ), que ampliou e restaurou o PALÁCIO . Estava encontrado, de forma mais ou menos definitiva, o nome do PALÁCIO e da CALÇADA que o serviu.
Irmão do 1.º MARQUÊS DE TANCOS era "DOM JOSÉ MANUEL DEÃO " da SÉ PATRIARCAL, elevado em 1734 a CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA.

Chega o Terramoto de 1755. O PALÁCIO estava habitado, mas escassos foram os danos sofridos. Assim, depois do sismo, continuou a ser ali a morada dos MARQUESES DE TANCOS.
Mantiveram-se estes no PALÁCIO até ao 4.º FIDALGO com esse título, "DOM DUARTE MANUEL", que era também 9.º CONDE DE ATALAIA. Na segunda metade do século XIX, tudo se iria transformar. 

- ( 1 ) - MARQUÊS DE TANCOS, título criado pelo REI DE PORTUGAL "DOM JOSÉ I", em 22 de Outubro de 1751, a favor de "DOM JOÃO MANUEL DE NORONHA" (1679-1761) e 6.º CONDE DE ATAÍDE-


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUES DE TANCOS[ III ] O PALÁCIO MARQUES DE TANCOS ( 2 )»  

sábado, 12 de maio de 2018

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ I ]

«ENQUADRAMENTO DA CALÇADA, PALÁCIO E MERCADO CHÃO DE LOUREIRO»
Calçada do Marquês de Tancos - ( 2018 ) (Desenho adaptado da COSTA DO CASTELO - sem escala- APS - LEGENDA: -1) CALÇADA DO MARQUÊS DE TANCOS; -2)PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS-3)MERCADO DE CHÃO DE LOUREIRO; - 4)IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO).  in  ARQUIVO/APS 
 Calçada Marquês de Tancos - (1979) - (Fachada lateral vista geral à direita a Rua da COSTA DO CASTELO, à esquerda a CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS  in  MONUMENTOS - SIPA
 Calçada Marquês de Tancos - ( 195-) Foto de Eduardo Portugal - Pormenor de uma água-tinta, animada por ZUZARTE, representando a IGREJA DE SÃO CISRÓVÃO(27), a IGREJA DE SÃO LOURENÇO(28), o PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS(26) e uma parte da Muralha do CASTELO DE SÃO JORGE)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML
Calçada Marquês de Tancos - (Depois de 25.10.1951) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (O MERCADO DE CHÃO DE LOUREIRO, com um lado virado para a CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS)   (ABRE EM TAMANHO GRANDEin   AML 


(INÍCIO)-CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ I ]

«ENQUADRAMENTO DA CALÇADA, PALÁCIO E MERCADO CHÃO DE LOUREIRO»

CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS" integrada no BAIRRO histórico da MOURARIA na convergência da COSTA DO CASTELO, começa na RUA DA COSTA DO CASTELO, 21 e termina
no "LARGO DE SÃO CRISTÓVÃO no número três. Pertencia à freguesia de SÃO CRISTÓVÃO E SÃO LOURENÇO, hoje pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia de "SANTA MARIA MAIOR".
De feitura íngreme a "CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS" quem sobe de "SÃO CRISTÓVÃO" para a COSTA DO CASTELO, já teve outros nomes (conforme os seus residentes mais destacados), assim se chamava na época "TRAVESSA Q VAY DO ADRO DA IGREJA P.ª a COSTA), mais tarde "RUA DA COSTA" e "CALÇADA DO CONDE DE ATALAIA". 
São convergentes a esta "CALÇADA", no lado direito e esquerdo o "LARGO ATAFONA" e ligado por escadaria à "TRAVESSA DO CHÃO DE LOUREIRO".

Este BAIRRO faz parte do núcleo de "SÃO CRISTÓVÃO" cujo pólo é a "IGREJA DE SÃO CRISTÓVÃO" estando esta CALÇADA implantada num terreno de acentuado declive e de forma irregular, inserido num triângulo onde ocupa praticamente um quarteirão, ficando adossado a Oeste ao "RECOLHIMENTO DE SÃO CRISTÓVÃO" e a um prédio de habitação com frente para esta CALÇADA, prédio sobre o qual se estende um amplo terraço correspondente ao andar nobre (piso 4) do "PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS" cuja fachada marcadamente horizontal, de linhas sóbrias, rasgada por fileiras e vão rectangular, apresenta uma decoração exterior simples, concentrada apenas no andar nobre, que exibe janelas de sacada com guardas de ferro transformados, conserva-se grande parte do recheio artístico original, destacando-se o espólio azulejar composto por painéis de finais do século XVII e meados do séc. XVIII, notável pela sua diversidade, qualidade pictórica e iconografia. 

As fachadas NE e SO, regulares, acompanham o alinhamento da via pública, a entrada principal faz-se a Noroeste, através de um pátio protegido por extenso muro, destacando-se a Sudoeste, a importante fachada do PALÁCIO  virada para o RIO.

No espaço fronteiro ergue-se o "MERCADO DO CHÃO DE LOUREIRO". Em cima no vértice do triângulo, ponto onde convergem as ruas "MARQUÊS DE TANCOS" e "COSTA DO CASTELO", forma-se um recanto calcetado, protegido por gradeamento.

O "PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS", de planta irregular desenvolvida a partir da fachada de SO, aquele enorme edifício que domina a cidade do alto da "COSTA DO CASTELO" é um dos palácios que sobreviveram ao Terramoto de 1755.
O edifício tem 5 pisos com áreas desiguais resultante da adaptação ao declive. Os pisos 3 e 4 correspondem às zonas de maior superfície; o piso 4 (andar nobre) é o único que articula o edifício com o espaço a NE (cota mais alta) ao nível da via pública, definido pelo pátio murado e fachada urbana contígua.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE  TANCOS[ II ] -O PALÁCIO MARQUÊS DE TANCOS ( 1 ).

quarta-feira, 9 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (Século XIX) Foto de Thomas L. Rence  -  (O CONDE DE FARROBO vestido para uma caçada)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (Século XX) Autor não identificado )  -  (Início da "RUA DO ALECRIM" rua que está inserido o antigo "PALÁCIO QUINTELA"  in  Jornal A CAPITAL
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - ( 2005) - Foto de APS  -  (Um aspecto da RUA DO ALECRIM, o prédio em construção com o traço do Arquitecto SISA VIEIRA, ao fundo no lado direito o antigo (PALÁCIO QUINTELA), hoje "PALÁCIO CHIADO".   in  ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
Por decreto do Governo de "DOM MIGUEL", o "CONDE DE FARROBO" foi exautorado de todos as honras, privilégios e direitos, e teve de fugir, para não ser preso, a bordo de um navio inglês, tendo conseguido fase-lo fardado de oficial da marinha daquele país, misturado num grupo com vários oficiais do navio e senhoras convidadas para ir a bordo.
A amizade dos INGLESES permitiu-lhe arvorar a bandeira no seu PALÁCIO da RUA DO ALECRIM. Entre este e o navio, um telégrafo de sinais ia dando conta à família  e amigos, das notícias do CAMPO LIBERAL que ali chegavam. A posição precária de "DOM PEDRO" fazia hesitar os capitalistas, cujo reembolso dependia da vitória dos LIBERAIS, a arriscar grandes somas a favor daquilo que parecia votado ao insucesso. Resolveu um emissário de DOM PEDRO ir a bordo falar com "JOAQUIM PEDRO QUINTELA, "CONDE DE FARROBO", o qual generosamente e sem hesitar, pôs imediatamente 30,000 libras esterlinas à disposição de DOM PEDRO.
Deve o facto ter chegado ao conhecimento da polícia de DOM MIGUEL, pois logo se seguiu, em ABRIL de 1832, um Decreto que o obrigava a sair de LISBOA em 24 horas, o que o forçou a vender precipitadamente todos os seus bens imóveis a "LORDE WILLIAM RUSSEL", seu amigo e a esconder-se em casa do súbdito inglês "DIOGO CARLOS DUFF", sob o nome suposto de «MR. SMITH». Apesar das elevadas recompensas prometidas pelo governo MIGUELISTA a quem o entregasse, conseguia manter-se no seu esconderijo, pois só três pessoas, além do dono da casa, sabiam a verdadeira identidade de "MR. SMITH": o criado "JOÃO ALEMÃO", INÁCIO HIRSCH" e um carteiro de nome "JOAQUIM". 
As coisas iam de mal a pior para os LIBERAIS e "LORD WILLIAM RUSSEL fez avisar "JOAQUIM PEDRO QUINTELA", por intermédio de seu sogro, FRANCISCO LODI", da situação, aconselhando-o a não comprometer mais a sua fortuna, por uma causa que ele reputava perdida. Este facto só se tornou público por morte do "CONDE DE FARROBO" (JORNAL DO COMÉRCIO DE 26.10.1869).
Com uma dedicação sem limite à causa CONSTITUCIONAL, não só não seguiu o aviso, como resolveu pôr toda a sua fortuna ao serviço do IMPERADOR, mobilizando na praça de LONDRES os créditos necessários.
Diz-nos o amigo "JOSÉ NORTON" no seu livro "O MILIONÁRIO DE LISBOA", pág. 8: "Enquanto investigador do passado, não me deixa de causar estranheza que, sobre um homem com a dimensão pública de FARROBO, tenha caído um tão pesado silêncio a que acresce uma flagrante ausência de registos documentais. Atribuo essa circunstância a duas situações que, especulando, faço por adivinhar: um sentimento de culpa colectiva por o ESTADO ter traído aquele que foi, na prática, o salvador, do «LIBERALISMO»; e o desconforto da família perante a brutal derrocada que a casa QUINTELA sofreu depois da sua norte".

Depois da vitória de DOM PEDRO IV elevou "FARROBO" à grandeza do Reino como " "CONDE" tendo escolhido a data do aniversário de DONA MARIA II, para tal mercê. Passou a PAR do REINO "2.º Senhor da VILA DE PRÉSTIMO e 2.º ALCAIDE-MOR de SORTELHA e várias condecorações.
As despesas excessivas de tão faustosa vida e alguma infelicidade em negócios, começaram a abanar a brilhante posição financeira de FARROBO. A perda de uma demanda intentada contra ele pelo capitalista "MANUEL JOAQUIM PIMENTA", que lhe tomara o monopólio do TABACO, que o CONDE recebera em recompensa dos serviços pecuniários à CAUSA DA CARTA e da RAINHA, veio dar o golpe final. Durou o processo 30 anos, e o CONDE foi condenado a pagar mais de mil contos de réis.
Nas "LARANJEIRAS" o PALÁCIO muito danificado, praticamente em ruínas e talvez à espera de um mecenas equiparável ao seu fundador.       O "TEATRINHO" ainda  lá    está.    [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - LIVRO XIII -2.ª Ed. 1993-LISBOA.
- DICIONÁRIO ILUSTRADO DA HISTÓRIA - Editado Pub. ALFA - VOL. I e II 1986- LISBOA.
- NOBREZAS DE PORTUGAL E DO BRASIL - Direcção de A.Eduardo M. Zuquete-Editorial Enciclopédica, LDA.-RIO DE JANEIRO-LISBOA - VOLUMES II e III - 1960 - 1961.
- O MILIONÁRIO DE LISBOA - de JOSÉ NORTON - Pub. DOM QUIXOTE - 2009 - LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA - A Global Notícias Publicações S.A. - 2004 - LISBOA

INTERNET

- ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - AML 
- DIRECÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
- LISBOA DE ANTIGAMENTE  (Blogue)
(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ I ] - ENQUADRAMENTO DA CALÇADA, PALÁCIO e MERCADO CHÃO DE LOUREIRO»

sábado, 5 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- ( 1999) -  Foto de Alberto Peixoto  -  (No recinto do "Palácio das Laranjeiras", ergue-se um pequeno teatro de ópera também conhecido por "TEATRO THÁLIA"  in  A CAPITAL
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (1943) Foto de Eduardo Portugal   -  Fachada do Palácio do Conde de Farrobo, na Estrada das Laranjeiras)   in    AML 
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (2005)  Foto de APS   -  (Início da RUA DO ALECRIM no século XXI ao fundo à direita o "PALÁCIO QUINTELA" de finais do século XVIII)  in  ARQUIVO DE APS

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FERROBO[ VII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS( 2 )»

Junto ao "PALÁCIO DAS LARANJEIRAS" que o "CONDE DE FARROBO" mandou edificar, para seu prazer e para evitar o incómodo de ir a "SÃO CARLOS", um pequeno "TEATRO" para "ÓPERA"  e CONCERTOS, conhecido (na época) pelo "THÁLIA" ( 1 ), cujas festas e representações ficaram célebres nos anais do TEATRO PORTUGUÊS e da alta elegância lisboeta.
A primeira récita de que há notícia foi a 14.03.1825, com a ópera de SAVERIO MERCADANTE, "IL CASTELLO DEGLI SPIRITI" e "COSTANZA", cantadas normalmente por amadores. No "TEATRO DAS LARANJEIRAS", onde obviamente só se entrava por selecto convite, foi estreada uma obra-prima do teatro português: nada menos do que o "FREI LUÍS DE SOUSA" de GARRETT.  e, no tocante ao "bel canto", bastará talvez dizer que só entre 1834 e 1853 ali subiram à cena 18 óperas.
"FARROBO" não olhava a despesas: no CARNAVAL DE 1858, por exemplo, apeteceu-lhe por em cena, no seu teatro, a ópera cómica "LA FANCHONNETTE", com libereto de "JULES HENRI V. DE SAINT GEORG (1799-1875) e música de "LOUIS CLAPISSON". Ora quem cantava a dita obra na perfeição era uma cantora que, pelo apelido, seria Luso- francesa, "MIOLAN-CARVALHO". Sem problemas ofereceu-lhe 30 mil francos, o que , na época, constituía fortuna apreciável. E ia estourando de raiva porque a artista, embora muito lhe apetecesse o prémio, não podia quebrar o contracto que tinha em PARIS.
Teve o fidalgo lisboeta, contudo, algum azar com uma escolha, ao contratar um maestro privativo para o seu "TEATRINHO DAS LARANJEIRAS". Em MILÃO, indicaram-lhe duas hipóteses: a primeira era a da um músico que estava a ter muito êxito, mas a quem convinha mudar de ares por questões políticas; o outro candidato poderia seu um sujeito com algum futuro, mas que tivera há pouco um fracasso no "TEATRO SCALA"."FARROBO" convenceu o primeiro a vir para LISBOA. Chamava-se "ANGELO FRONDONI". O rejeitado dava pelo nome de "GIUSEPPE VERDI". (O tão conhecido VERDI em PORTUGAL).
Os tempos, no entanto, não corriam de feição a estas manifestações artísticas em consequência das lutas políticas (entre irmãos D. PEDRO e D. MIGUEL, as chamadas "Lutas Liberais") que dividiam os portugueses.
O "CONDE FARROBO" abraça a causa "CONSTITUCIONAL" e para a defender assentara praça em 09.04.1821 no REGIMENTO DE CAVALARIA DOS VOLUNTÁRIOS DO COMÉRCIO, para ser na mesma data promovido a Coronel.
Quando. em 1828 "DOM MIGUEL" se proclama "REI ABSOLUTO", o 2.º BARÃO DE QUINTELA e 1.º CONDE DE FARROBO, mais se entregou à causa constitucional. Em 1831, o Governo de DOM MIGUEL decretou um empréstimo forçado ao "CONDE DE FARROBO", embora este se tenha recusado a contribuir para ele. 

- ( 1 ) - TEATRO  THÁLIA - situado no complexo das Laranjeiras, é um edifício na posse do ESTADO desde o século XIX, recuperado pela Secretaria-Geral para fins científicos e culturais, prioritariamente dos organismos da Ciência, Tecnologia e Ensino e de Educação, mas também da Comunidade em geral, através da utilização.

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