domingo, 6 de janeiro de 2008

RUA DO ALECRIM

Rua do Alecrim - Edifício em acabamento da autoria de Siza Vieira - foto do autor (2005)

Rua do Alecrim no ano 2005 autor desconhecido

( Rua do Alecrim - Foto de APS- 2005)

( Rua do Alecrim nos anos 70 do século XX - Autor desconhecido)

( Rua do Alecrim dos anos 70 do século XX - Autor desconhecido)

A RUA DO ALECRIM pertence à freguesia de SÃO PAULO dos números 1 a 57 e de 2 a 22. Á freguesia da ENCARNAÇÃO os números 59 e de 24 em diante.

Começa na Praça do Duque da Terceira no número 13 e finaliza na Praça de Luís de Camões.


Anteriormente conhecida por "RUA ANTIGA DO CONDE", sendo designada por RUA DIREITA DO ALECRIM a partir de 1693.

Segundo Norberto de Araújo, a Rua do Alecrim tinha um traçado pré-pombalino, sendo «uma das artérias mais características deste sítios, muito lisboeta, com o seu delicioso enfiamento até S. Roque, direita como um fuso e em dois terços da sua extensão corresponde à seiscentista Rua do Conde»


Ao cimo da rua, mesmo em frente do Largo Barão de Quintela, encontramos a fachada do Palácio Quintela Farrobo comprado em 1777, mandado edificar por Luís Rebelo Quintela sobre casas arruinadas pelo Terramoto (1755), que pertenciam aos Condes do Vimioso e Marqueses de Valença, (daí advir a toponímia "RUA DO CONDE").


Com a derrocada da Casa Quintela Farrobo o imóvel é adquirido por um comerciante célebre "Monteiro dos Milhões". Actualmente (2006), funciona neste lugar o IADE, Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing.


Somente em 1693, esta via aparece pela primeira vez designada com o nome de RUA DIREITA DO ALECRIM. Anteriormente chamava-se Rua do Conde ou Rua Direita do Conde. No extremo norte, a Rua do Alecrim desemboca no Largo das Duas Igrejas. Uma Igreja, a do Loreto, foi edificada pela devota colónia italiana no ano de 1517. Posteriormente destruída por um violento incêndio, em 1651, reconstruída em 1676, ruiu de novo com o terramoto de 1755 e novamente reedificada pela teimosia fervorosa daqueles colonos, em 1785. Este templo, também conhecido pela designação da Igreja dos Italianos, é decorado com quadros da escola Italiana. A outra igreja faz-lhe face e chama-se Igreja da Encarnação foi erigida em 1698 e deve o seu nome ao orago, Nossa Senhora da Encarnação, sendo a Igreja sede paroquial. Fundou este templo a esposa de D. Nuno da Cunha, conde do mesmo título, D. Elvira Maria de Vilhena, Condessa de Pontevel, que a dotou com peças de grande valor e beleza, destacando-se entre elas uma custódia de prata. Destruída pelo terramoto, foi depois reconstruída, tendo as obras sido concluídas em 1783.


Antes do terramoto de 1755 a Rua do Alecrim apresentava um traçado bastante diferente. Terminava na Rua da Cordoaria Nova e era limitada a Norte pelo Palácio do Marquês de Valência. A Ermida de Nossa Senhora do Alecrim, que lhe deu o nome, ficava no lado oposto a poente e estava inserida na propriedade Nº19 do Tombo Pombalino. É provável que a denominação de Rua do Alecrim prevalecesse quando, em princípio de 1802, a Administração Geral dos Correios mandou, pela primeira vez, por ordem superior, pintar os letreiros nas esquinas das vias públicas da capital. Esta artéria foi beneficiada várias vezes, tendo em Agosto de 1842 recebido um passeio de asfalto ao longo da muralha (Fernandina) que a bordava.


Na esquina para a actual Rua do Alecrim, existiu uma Ermida fundada por D. Ana de Vilhena, entre 1628 e 1641, cuja padroeira era Nossa Senhora do Alecrim, denominação que haveria de se estender à Rua e que, durante algum tempo, foi usada simultâneamente como topónimo anterior que acabou por desaparecer.


A rua do Alecrim teve a sua origem no reinado de D. João III, depois do terramoto que destruiu a bairro de Vila Quente. Quando o Patriarca D. Fernando de Sousa e Silva definiu, em 1780, o plano de Divisão e Translação em Paróquias da cidade de Lisboa, esta rua integrada na freguesia da Encarnação, tomou o nome de NOVA RUA DAS DUAS IIGREJAS e servia de limite, pelo lado oriental, entre a freguesia da Encarnação e a freguesia dos Mártires.


"O começo da rua dá-se por uma subida acentuada que assenta em dois arcos de volta abatida (construídos sobre armazéns abobadados, com entrada pela rua de S.Paulo), é um viaduto bem lançado construído depois do Terramoto por ordem expressa do Marquês do Pombal. Este primeiro lanço da rua foi ocupado por escritórios comerciais e de navegação e pelo Hotel Bragança (1).


Quem sobe a Rua do Alecrim, depois de passar a Rua do Ferragial de Baixo e ainda do seu lado direito,existiu um espaço que ao longo dos anos aparentava um baldio de ruínas várias, aí funcionou por volta de 1934 uma Fábrica de Cervejas. Nessa faixa de terreno, pertença da Casa de Bragança, foi recentemente (2005) construído um edifício com projecto urbanístico da autoria do arquitecto Álvaro Siza Vieira. (ver foto Nº 1)


Segundo o traçado da Rua do Alecrim para Sul, encontra-se a Praça do Duque da Terceira. Ali foi erigida, em 1877, uma estátua evocando aquela personagem, cuja acção foi determinante no confronto entre os partidários de D. Pedro e os de D. Miguel, em 1833. Este monumento em bronze i uma criação do escultor Simão de Almeida e do Arquitecto José António Gaspar.


Ao longo do seu percurso, a Rua do Alecrim ostenta ainda alguns belos exemplares da arquitectura civil portuguesa, divisando-se ao fundo o indispensável e amado Rio Tejo, após o Cais do Sodré, fervilhando na sua vida ribeirinha durante o dia e encobrindo a vida nocturna e castiça de Lisboa.


(1) - REVELAR LX (NET)


17 comentários:

Anónimo disse...

parabens pela informação e utilidade

APS disse...

Muito agradecido pelas suas palavras.

Volte sempre!
APS

Manuel Afonso Neto disse...

Ex.mo. Senhor

Por lapso enviei-lhe uma mensagem mas não lhe dei o meu e-mail ou blogue.
No entanto e caso não visualize essa mesma mensagem, venho aqui por duas razões:
1) Para lhe agradecr por ter-me educado mais em relação á minha cidade, Lisboa e ás suas ruas, mais concretamente á rua do Alecrim.
Por outro lado para lhe pedir de boa fé, que retire alguns dados que tanto trabalho lhe deve ter dado, ao fazer o seu blogue, das ruas de Portugal, para contribuição dos meus pequenos "contos" se é que se podem chamar ou denominar de contos.
Por fim, gostaria que vissitasse o meu pequeno blogue: vivendolhandoomundo@blogspot.com e me desse alguns concelhos de escrita.
Atentamente grato,
Manuel Afonso Neto

APS disse...

Caro Manuel Afonso Neto

Agradeço as suas palavras ao meu blogue.

Quanto ao retirar algum material já publicado pode fazê-lo, no entanto tudo que está editado tem relação às RUAS DE LISBOA e seu envolvente.

No que diz respeito ao seu blogue, acho que podemos colocar tudo aquilo que a imaginação nos proporcionar (salva-guardando palavras indecorosas).
Os contos devem ser regulares e concisos.

Um abraço
APS

Anónimo disse...

Caro APS,

Parabéns pelos excelentes textos sobre as ruas da cidade. Neste artigo sobre a Rua do Alecrim menciona a existência do bairro da Vila Quente antes do terramoto de 1531. Gostaria de saber se tem conhecimento de referências bibliográficas ou outras sobre o dito bairro.

Grata pela atenção.
Maria Francisco

APS disse...

Cara Maria Francisco

Agradeço as suas amáveis palavras e peço desculpa de só agora responder.

A referência de «VILA QUENTE» nada tem em relação directa com a «RUA DO ALECRIM» (antiga rua do Conde), a não ser no tempo.

Esta «VILA QUENTE» era um aglomerado de casario existente nos séculos XIV a XVI, na «COSTA DO CASTELO» junto às muralhas do «CASTELO DE S.JORGE».
Um dos terramotos que sacudiu LISBOA (ou o de 28.01.1512 ou de 07.01.1531) desmoronou parte da muralha desse lado, arrastando terras e arvoredo. A «VILA QUENTE» foi soterrada e dela nada mais consta.

Volte sempre,
Cumprimentos
APS

Anónimo disse...

Caro APS,

Obrigada pela sua explicação. Saciou a minha curiosidade.

Cumprimentos,
Maria Francisco

RF disse...

Muito obrigado pelo seu blogue, no qual já me viciei. Muito bom trabalho. Devo no, entanto, deixar aqui a seguinte correcção: diz a legenda da 3ª foto que esta teria sido tirada nos anos 50 do sec XX, no entanto, tal é impossivel e a foto será mais recente, visto que nela se vê claramente um Renault 5 cuja produção se iniciou em 1972.
Mais uma vez, o meu obrigado.

APS disse...

Caro RF
Fico muito agradecido pelas suas palavras a este Blogue.
Tem toda a razão quanto à data do RENAULT 5 (acho que é o quarto no lado direito quem desce, cujo para-choques já em plástico e farolim traseiro vertical), efectivamente o seu início deu-se em 1972 equipado com o motor do Renault 4. Mas eu podia ter sido mais esperto ao notar que na subida vinha um RENAULT 16 ou R 16, cuja produção começou no ano de 1965(R16) e RENAULT 16 (1966). Por acaso até tive um RENAULT 16 TS em 1969 (na África do Sul).
Tenho um livro da "Renault de 1898 aos nossos dias!...", publicado pela Renault Portuguesa no ano de 1985. Ali posso tirar as minhas dúvidas quanto à marca que prestigiei durante longos anos.
Agradeço o seu reparo e se for possível vou alterar para os anos de (70). Mas isto de história é, por vezes complicado quanto a datas. Felizmente temos sempre alguém que está atento aos pormenores e nos alertam. Ninguém é perfeito, ninguém sabe tudo, devemos admitir os erros.
Mais uma vez obrigado
Volte sempre!
Cumprimentos
APS

redjan disse...

Por necessidade de pesquisa tenho visitado este blogue. Informação muito útil, precisa e carregada de história. PARABÉNS por todo este trabalho!

redjan disse...

Por necessidade de pesquisa tenho visitado este blogue. Informação muito útil, precisa e carregada de história. PARABÉNS por todo este trabalho!

APS disse...

Caro Redjan
Agradeço as suas palavras a este blogue. Fico satisfeito por vir colher informação a este espaço com alguma história.

Reparei que tem um blogue "RUA CIDADE DE BAFATÁ".
Algumas considerações a esta rua, que fica nos Olivais Sul e foi-lhe atribuído este topónimo em 11.07.1970.

A Cidade de BAFETÁ ficava situada na antiga GUINÉ PORTUGUESA, a N.E. da Colónia. A população indígena é constituída por fulas e mandingas que professam a religião Muçulmana.

BAFATÁ tem um porto sobre o rio GÊBA e é sede de um porto de despacho aduaneiro de 2ª classe, subordinado à alfandega de Bolama.
Esta informação é referente aos anos 70 do século XX.
Volte sempre, despeço-me com amizade,
Cumprimentos
APS

Anónimo disse...

Bom dia, muito interessante a forma com nos leva a aprender a cidade.
Gostava de saber se nesta Rua do Alecrim existiu uma refinaria de açucar, "Refinaria Brasileira", não será no local que indica como "Fàbrica das Cervejas"?
Muito obrigado

Gustavo López disse...

Olá
Você sabe por que a Rua é chamado do Alecrim?
Muito obrigado

APS disse...

Caro Gustavo López

Acho que deve ler o paragrafo que começa: "Antes do Terramoto de 1755 a RUA DO ALECRIM apresentava um traçado bastante diferente. (...). A ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO ALECRIM, que lhe deu o nome, ficava no lado oposto a poente" etc..
Obrigado pela sua visita.
Cumprimentos
APS

Gustavo López disse...

Obrigado, gentil alecrim! Disse Maria. Daqui por diante, ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando.

Desculpe, eu não tinha lido esse parágrafo. Agora quero compartilhar com vocês a seguinte legenda: O alecrim de Nossa Senhora

Cumprimentos.

APS disse...

Caro Gustavo López

Obrigado pela sua legenda: O ALECRIM DE NOSSA SENHORA. É muito bonita a mensagem!
Um abraço
APS